Porto Alegre, sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

  • 27/08/2014
  • 16:20
  • Atualização: 17:09

Grupo Corpo volta a Porto Alegre para duas apresentações

Coreógrafo Rodrigo Pederneiras fala sobre "Triz" e "Onqotô" em cartaz no fim de semana

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  • Luiz Gonzaga Lopes / Correio do Povo

Para matar a ansiedade de quase dois anos do público gaúcho, desde que apresentou "Benguelê" e "Sem Mim", em setembro de 2012, o Grupo Corpo volta ao Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8787) para apresentar sábado e domingo, 30 e 31 de agosto, respectivamente às 21h e às 19h, a sua mais recente criação "Triz", acompanhado da coreografia "Onqotô", de 2005, já mostrada na capital gaúcha. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Bourbon Country, pela telentrega Branco Produções (3231-4142) e pelo site do Ingresso Rápido.

"Triz" é uma criação coreográfica de Rodrigo Pederneiras, em 2013, a partir da trilha sonora do pernambucano Lenine somente com instrumentos de cordas, com uma topografia musical pontuada por subversões rítmicas. Com cerca de quinze quilômetros de cabo de aço, Paulo Pederneiras ergue uma arquitetura cênica que alude à presença das cordas na trilha e se impõe com metáfora das limitações impostas à equipe de criação e aos intérpretes. O figurino de Freusa Zechmeister trabalha em metades do preto e do branco, ao chiaroscuro e brinca com a relatividade do limite. Rodrigo Pederneiras ao falar sobre o espetáculo destaca que ele foi todo construído sobre o ultrapassar limites. Ele mesmo passou por duas cirurgias no tendão de Aquiles e no joelho e precisou criar a coreografia pela primeira vez somente verbalizando sem mostrar o movimento, fazendo com que os bailarinos se envolvessem ainda mais no processo e na quebra dos seus limites.

"Onqotô" foi criado a partir da trilha de Caetano Veloso e José Miguel Wisnik e é uma corruptela mineira de "Onde é que eu estou?" trata da pequenez do homem diante do Universo, a teoria do Big Bang e o paralelo ou contraponto rodrigueano (de Nelson Rodrigues) da brasilidade, com a célebre frase de que "o Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada". Em entrevista ao Correio do Povo, o coreógrafo Rodrigo Pederneiras fala sobre o espetáculo, as coreografias, e os próximos projetos pessoais e do Grupo Corpo.

Correio do Povo - Como que "Triz" surgiu na história do Corpo?
Rodrigo Pederneiras -
O processo todo foi sobre superação de limites. Quando o Lenine entregou a trilha, eu rompi o tendão de Aquiles e tive que fazer uma cirurgia. Tive que parar um tempo para me recuperar e quando estava me recuperando, estourei o joelho e tive que operar. O espetáculo já estava com apresentações vendidas para o exterior. Comecei a criar sentado, sem poder caminhar e precisei mudar a maneira de trabalhar. Acabei verbalizando os movimentos e não mostrá-los como sempre fiz.

CP - Como os bailarinos reagiram a esta nova forma de criar?
Pederneiras -
Comecei ter uma ajuda monstra dos bailarinos, eles começaram a trazer mais coisas, a criar mais, a dar mais ideias de movimentos e de espacialidade. A ideia era o limite, de chegar ao limite (que era minha própria realidade) e ultrapassá-lo. Pegamos isto como tema e o cenário, com as cordas e três linhas de corredor de luz ou a iluminação de fundo fazendo a opressão, o limite, com os bailarinos ficando presos e limitados a estes corredores. Isto proporcionou uma velocidade maior da coreografia e que os bailarinos realmente ultrapassassem seus próprios limites. Gostei desse resultado. Triz é mais rápido, mais intenso do que coreografias anteriores e constatei que posso fazer a criação de um modo diferente.

CP - E sobre Onqotô, espetáculo com 9 anos de estrada que faz uma brincadeira legal sobre o homem diante do Universo e o abrasileiramento com o Fla-Flu rodrigueano, que nasceu 40 minutos antes do nada?
Pederneiras -
O Zé (Miguel Wisnik) e o Caetano (Veloso) trouxeram a ideia do infinito com a música e eu comecei a trabalhar a questão do Big Bang, do homem em relação ao Universo, com o "de onde viemos?" e "para onde vamos?". Aí com o nosso jeito mineiro e brasileiro chamamos de "Onqotô", a corruptela de "Onde é que eu estou?" e colocamos os elementos da brasilidade, como o "Fla-Flu que começou 40 minutos antes do nada", do grande Nelson Rodrigues.

CP - Qual o próximo espetáculo do Grupo Corpo?
Pederneiras -
A próxima coreografia será para os 40 anos do Corpo, em 2015. A música da trilha sonora é de autoria do Marco Antônio Guimarães, do nosso conterrâneo Uakti, que será gravada pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, agora em outubro, sob regência de Fábio Mechetti. Vou criar a coreografia a partir de todo este processo musical. Não tem nem título provisório. Será um grande trabalho para coroar uma grande data. Fora isso, estou criando para o Ballet de Montreal. Voltei de lá faz pouco e volto para lá no domingo e tenho recebido convites para trabalhos em Las Vegas e Paris.

CP - Qual a sua relação com Porto Alegre?
Pederneiras -
Porto Alegre é um grande barato, uma cidade especial, com muita gente culta e bacana. Sou muito amigo da Heloisa Crocco (artista visual e designer). Sempre que posso dou uma passada no Mercado Público, que é um lugar encantador e tem de tudo e também sou vidrado na vista do rio Guaíba, o seu pôr-do-sol lindo.

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TAGS » Variedades, Dança