Porto Alegre, sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

  • 29/08/2014
  • 12:24
  • Atualização: 12:52

Grupo Corpo apresenta duas coreografias em Porto Alegre

“Triz” e “Onqotô” serão exibidas neste sábado e domingo às 21h no Teatro do Sesi

Coreografia Triz (foto) e Oqotô serão exibidas pelo Grupo Corpo no Sesi neste sábado e domingo  | Foto: José Luiz Pederneiras / Divulgação / CP

Coreografia Triz (foto) e Oqotô serão exibidas pelo Grupo Corpo no Sesi neste sábado e domingo | Foto: José Luiz Pederneiras / Divulgação / CP

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  • Correio do Povo

O grupo mineiro Corpo mostra pela primeira vez, em Porto Alegre, a sua mais recente criação, intitulada “Triz” (2013), ao lado de uma de suas coreografias de maior sucesso, “Onqotô” (2005). As exibições na Capital ocorrem neste sábado, às 21h, e domingo, às 18h, no Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8797). Os interessados podem adquirir iIngressos pelo www.ingressorapido.com.br.

A trilha composta pelo compositor e músico Lenine em “Triz” desenha uma topografia musical recortada por subversões rítmicas, a partir de um único motivo condutor e utilizando somente instrumentos de corda. Numa obra em que a ocupação do espaço reflete a intermitência e a dubiedade, o coreógrafo Rodrigo Pederneiras constrói uma partitura de movimentos marcada pela presença recorrente de trios. E abre espaço para uma série de duos femininos, como lenitivo e respiradouro necessários à execução dos movimentos. Uma cerca de cabo de aço ergue uma arquitetura cênica que remete às cordas musicais, mas também à limitação.

O espetáculo “Onqotô”, que apresenta uma trilha sonora de Caetano Veloso e José Miguel Wisnik, tem como ponto de partida uma bem-humorada discussão sobre a “paternidade” do universo. De um lado, está a teoria do big-bang e, de outro, a existência de uma máxima espirituosa formulada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues sobre o clássico maior do futebol carioca, segundo a qual se poderia inferir que o cosmos teria sido “concebido” sob o signo indelével da brasilidade. Os nove temas musicais da montagem estabelecem diálogos rítmicos, melódicos e intertextuais.

Nessa coreografia, criada também por Rodrigo Pederneiras, a verticalidade e a horizontalidade, o caos e a ordenação, a brusquidez e a brandura, o volume e a escassez se contrapõem e se superpõem, em consonância com a trilha sonora que está sendo executada no espetáculo. Construída com a junção de uma série de tiras de borracha que possuem cor de grafite, a cenografia acaba por fundar um espaço cênico côncavo que sugere tanto um recorte do globo terrestre, quanto um buraco negro.

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