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  • 06/07/2017
  • 13:14
  • Atualização: 14:18

"Perdidos em Paris" marca a despedida de Emmanuelle Riva

Atriz morreu em janeiro deste ano e seu último papel nos cinemas pode ser conferido a partir desta quinta

Emmanuelle Riva em cena de

Emmanuelle Riva em cena de "Perdidos em Paris" | Foto: Potemkine Films / Divulgação / CP

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Para o cinéfilo de carteirinha, o nome de Emmanuelle Riva é mágico. Evoca um dos maiores filmes do cinema - "Hiroshima, Meu Amor", de Alain Resnais, 1959. É possível lembrar outros trabalhos destacados - "Kapò", de Gillo Pontecorvo; "Thérèse Desqueyroux", de Georges Franju; e "Amor", de Michael Haneke. Emmanuelle morreu em 27 de janeiro deste ano, aos 89 anos. A partir desta quinta-feira, poderá ser (re)vista em seu último papel, no filme "Perdidos em Paris", da dupla Dominique Abel e Fiona Gordon.

Ambos dirigem, interpretam e assinam o roteiro. São casados - na arte e na vida. E estiveram no Rio de Janeiro durante o Festival Varilux justamente para divulgar "Perdidos em Paris". No Rio, num encontro com a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Fiona contou: "Todo mundo ficou surpreso, e a própria Emmanuelle também, quando a convidamos para nosso filme. Emmanuelle é tão identificada com o drama que nós mesmos hesitamos um pouco. Afinal, é uma comédia... Mas ela superou nossa expectativa e foi de uma entrega absoluta. Emmanuelle trouxe sua personalidade e isso mudou completamente a forma como víamos a personagem. Emmanuelle era uma mulher altiva e independente. Nunca teve filhos porque queria se dedicar a seus amores, o teatro e o cinema. E ela abriu sua casa, que virou a casa da personagem."

"Perdidos em Paris" é sobre essa mulher que recebe uma carta da velha tia que não vê há muitos anos. Ela necessita de ajuda, mas se esquece de fornecer o endereço. A personagem de Fiona desembarca em Paris e, por sua vez, ganha ajuda de um tipo bizarro (Abel) na tentativa de localizar a tia - Emmanuelle Riva. Abel e Fiona cultivam um tipo de humor que parece em desuso - ou será eterno? Um humor mais gestual que verbal, com ecos do cinema silencioso - e Charles Chaplin. Algo na cidade também evoca Jacques Tati, e seu M. Hulot.

Abel e Fiona descobriram suas afinidades na escolas de artes (e cinema). Começaram a trabalhar juntos, e só bem depois vieram o amor e o casamento, consolidando a união que já era artística. "A gente nunca tem a impressão de estar 'interpretando'. O que fazemos é mais visceral para a gente. Colocamos na tela nossas virtudes e fraquezas. Então não dá para chamar outro para dirigir. Temos de ser nós", explica Fiona sobre o método dos dois. Abel complementa: "É a mesma coisa na escrita. Estamos acostumados a fazer tudo. Escolhemos as cores, os enquadramentos, planejamos as falas, os gestos. Então, também temos de escrever o roteiro."

Veja o trailer:


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