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  • 07/08/2017
  • 17:01
  • Atualização: 17:29

Adrien Brody revela que sofreu depressão após "O Pianista"

Ator também comentou que filme de Roman Polanski mudou sua visão de mundo

Brody ganhou o Oscar de melhor ator pelo seu papel como o compositor judeu Wladyslaw Szpilman | Foto: Loic Venance / AFP / CP

Brody ganhou o Oscar de melhor ator pelo seu papel como o compositor judeu Wladyslaw Szpilman | Foto: Loic Venance / AFP / CP

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  • Correio do Povo

Quinze anos se passaram desde que Adrien Brody ganhou o Oscar de melhor ator por "O Pianista" e, mesmo depois de tanto tempo, o artista ainda sente-se tocado pelo papel. Na Suíça para receber um prêmio pelo conjunto de sua obra no Locarno Film Festival, o norte-americano de 44 anos revelou que sofreu de depressão por quase um ano depois do longa e que seu modo de enxergar o mundo mudou após retratar o compositor judeu Wladyslaw Szpilman no épico do Holocausto de Roman Polanski.

Brody descreveu o papel como "uma oportunidade única na vida de uma pessoa" e "a maior responsabilidade que poderia assumir como ator"."Não só para refletir a experiência de alguém que viveu os horrores da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, mas também para criar um livro de memórias para compartilhar e incluir as experiências trágicas de Roman", disse em entrevista coletiva durante o evento, apontando ainda que o filme exigiu um impacto emocional que, mesmo com uma década e meia sob o brilhante destaque de Hollywood, ele achou difícil ignorar.

A preparação para o longa, que venceu também o Oscar de melhor diretor e roteiro adaptado, melhor filme e direção no BAFTA, sete prêmios no César e a Palma de Ouro em Cannes, não foi simples. Para a composição do personagem, Brody comentou que era impossível um retrato realista de alguém que passa fome quando você se alimenta adequadamente. "A rápida perda de peso só pode vir de uma greve de fome, o que me deu uma visão maior sobre a mudança em como você se vê e o mundo ao seu redor e o desespero que vem com isso. Eu tive que sacrificar grandes partes da minha vida pessoal", comentou.

Esse papel também teria um efeito duradouro em Brody. Ele conta que ficou transtornado e foi diagnosticado com depressão. "Fiquei deprimido por um ano após 'O Pianista'. Estava de luto. Fiquei muito perturbado com com o que abracei e com a consciência de que se abriu. Foi a minha viagem para a idade adulta. Reafirmou os meus valores e manteve-me fundamentado depois do mar de acesso oferecido após as premiações. Eu tinha reconhecimento de quem eu devo ser e de quem devo me tornar", explicou.

"Eu tinha 27 anos e não entendi completamente a perspectiva que desenvolvi como resultado de fazer o filme. Eu ganhei muito do meu entendimento sobre sofrimento e a necessidade de reconhecer nossas bênçãos, as quais todos nós damos como uma garantia de vez em quando", contou. "No filme há uma lenta degradação do personagem. Meu personagem está despojado de sua civilidade e sua humanidade. Sua erosão é uma metáfora para uma erosão mais ampla, toda essa civilização sendo reduzida a uma concha do que era", continua.

A música era, naturalmente, parte integrante do longa. Brody comenta que aprendeu a tocar piano especialmente para o papel. "A música acalma e moldou o que aprendi de um dia para o outro. Fiquei em casa e conectado à música, o que, em última análise, me deu uma sensação de verdade e conexão com o personagem. No período de ensaio, ele afirma que viu uma pessoa sem-teto, que, devido ao tempo, tinha mãos que estavam inoperantes, enrugadas. "Do frio e da desnutrição, restringi o movimento da destreza manual de Szpilman. Era muito mais simbólico quando ele voltou a tocar peças que antes eram fáceis para ele. Se eu não tivesse feito essas horas de lições e pesquisas, não teria conseguido as expressões sutis e matizadas com minhas mãos", finalizou.


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