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Porto Alegre, quarta-feira, 16 de Agosto de 2017

  • 11/08/2017
  • 15:03
  • Atualização: 15:55

Bollywood ganha tom social e começa a denunciar mazelas da Índia

Novo filme com a estrela Akshay Kumar aborda a falta de banheiros no país

"Toilet - Ek Prem Katha" conta história de homem que se dedica a construir banheiros num vilarejo | Foto: Reprodução / CP

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  • AFP

Bollywood é conhecida por seus cenários coloridos e números de música e dança, mas um novo filme divulgado nesta sexta trata de um assunto menos glamouroso, a falta de banheiros na Índia. O primeiro-ministro Narendra Modi fez da construção de mais banheiros uma prioridade fundamental no país de 1,25 bilhões de pessoas, no qual cerca da metade da população não têm acesso a esses locais. O longa marca uma nova fase no cinema do país, que começa a ganhar tom social e expôr os problemas regionais.

Ativistas estimam que quase 200 mil crianças morrem todos os anos devido a infecções disseminadas por defecação aberta, o que, segundo eles, coloca as mulheres em risco de agressão sexual. "Toilet: Ek Prem Katha" ("Banheiro: uma história de amor") é inspirado no conto da vida real da batalha de um homem para construir banheiros em sua aldeia na Índia rural. Ele queria recuperar sua nova esposa, cuja recusa em viver em uma casa sem um banheiro ganhou aplausos na Índia.

Os roteiristas Siddharth Singh e Garima Wahal disseram à Agência France Press que esperam que o filme, com uma das maiores estrelas de Bollywood, Akshay Kumar, tenha um "impacto tangível" na sociedade indiana. "Isso aconteceu em uma aldeia no Madhya Pradesh, e achamos que foi uma declaração forte", disse Singh, referindo-se a um dos estados mais rurais do país.

Situação complicada para as mulheres

Os escritores explicaram que encontraram numerosas histórias de mulheres sendo abusadas quando entraram no campo tarde da noite no processo de pesquisa do filme. "Defecar ao ar livre não é apenas insalubre, também é perigoso", disse Garima. "Enquanto estávamos fazendo a nossa pesquisa, ouvimos falar de três incidentes de agressão. Os crimes contra as mulheres aumentaram devido à sua vulnerabilidade quando estão no campo, sozinhas no escuro, com suas 'calças para baixo' por assim dizer", completou.

Garima ainda comentou que a sociedade indiana é hipócrita: pede que suas mulheres se cubram de roupas por um lado, enquanto, por outro, forçam-nas a se exporem devido a falta de instalações sanitárias. Kumar, um dos atores mais bem pagos do mundo com uma receita de 31,5 milhões de dólares de acordo com um ranking da Forbes publicado no ano passado, lançou recentemente um "Anthem de toalete" para promover a causa. "Enquanto a humanidade progrediu o suficiente para viajar para Marte e escalar o Monte Everest, 54% da Índia defeca ao ar livre", diz a música.

No ano passado, o primeiro-ministro indiano anunciou que seu governo já havia construído mais de 20 milhões de banheiros desde que chegou ao poder em 2014. Cerca de dois terços das casas na aldeia em que o filme se passa agora têm banheiros, segundo relatos da mídia. "O nosso roteiro estava pronto em 2014 e achamos que deveríamos fazer isso enquanto ainda é um tópico quente. É especialmente importante levar as pessoas das áreas rurais a assistir este filme", disse Garima.

Teor social dos filmes irrita ministro

Recentemente Presidente do Conselho de Administração da Central Board of Film Certification, do Ministério da Informação e da Radiodifusão, realizou uma série de censuras que ultrajaram a indústria cinematográfica do país. Nos seus dois anos e meio de mandato nas decisões do Conselho de Censura, as decisões de Pahlaj Nihalan variaram entre o conservador, o politicamente motivado e o simplesmente desconcertante. Ele ordenou a proibição de "Lipstick Under My Burkha" (Batom de baixo de minha burca, em tradução literal), com o argumento de que o filme sobre a sexualidade feminina era "feminista demais". As decisão foi revertida em recurso pelos tribunais.

Com o filme "Udta Punjb" sobre os problemas de drogas do estado de Punjab, Nahalani ordenou o corte de 89 cenas para remover referências a drogas, corrupção nas eleições os problemas sociais no país. Mais uma vez, um tribunal reverteu tudo menos uma edição. Em outra produção, ele exigiu que as palavras "vaca" e "Índia Hindu" fossem excluídas. Nahalani foi demitido nesta sexta e deve ser substituído por Prasoon Joshi, um dos principais nomes nas indústrias de filmes e propaganda do país.