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  • 19/12/2017
  • 18:12
  • Atualização: 18:37

Museu Hermitage cria exposição permanente com vestimentas do czares

Centro de restauração da instituição passa abrigar mostra com 130 manequins com roupas do século 18

 | Foto: Olga Maltseva / AFP / CP

| Foto: Olga Maltseva / AFP / CP

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  • AFP

Do gibão de Pedro, o Grande, passando pelos trajes reais de Catarina, a Grande, até chegar ao vestido de casamento da esposa do último czar, Alexandra: o museu Hermitage, o mais importante da Rússia, colocou em exposição peças únicas de seu vasto e único arquivo. Uma nova galeria foi inaugurada neste mês com uma exposição permanente num edifício moderno no norte de São Petersburgo, o qual abriga o Staraya, centro de restauração da instituição. Instalados em caixas de vidro panorâmicas, 130 manequins com roupas que datam do século 18, a maioria pertencente à dinastia Romanov que governou até a revolução russa de 1917, estão expostos.

"O departamento de trajes ocupa 600 metros quadrados. Atrás dos manequins que estão em exibição, existem armários onde mantemos nossa coleção de 24 mil peças", diz a curadora Nina Tarasova à agência AFP. "O que pode ser visto é apenas três por cento da nossa coleção. Por exemplo, existem 280 itens pessoais de Pedro, o Grande, a mais importante de roupas masculinas do século XVIII no mundo". Governando nos séculos 17 e 18, o czar que fundou São Petersburgo era extremamente alto para a época - com dois metros de altura - e era conhecido por seus gostos simples.

O foco da exposição está nos Romanov, de Pedro, o Grande, a Nicolau II e sua família, que foram mortos pelos bolcheviques em 1918 após a revolução que abriu as portas para a criação da União Soviética. Contudo, também dá uma imagem mais ampla da sociedade, das roupas tradicionais usadas por camponeses em várias regiões da Rússia aos vestidos de baile por aristocratas em São Petersburgo. "Graças a esses itens, podemos aprender não apenas sobre as modas do tempo, mas também sobre o tamanho dos membros da família Romanov e até o que eles eram como pessoas", explica Nina.

Uma túnica cerimonial usada pelo Alexandre I, que imperou de 1777 a 1825, mostra que ele era alto e esbelto, enquanto Alexandre III, governante entre 1845 e 1894, é representado por um terno de xadrez. Isso mostra o porquê dos historiadores o apontarem como indiferente à moda. Um simples gibão de lã verde, uma espécie de jaqueta acolchoada, usada por Pedro, o Grande, está ao lado de um magnífico vestido azul com brocado de prata que Catarina, a Grande, costumava vestir para rever as tropas.

"Levaram muitos meses para criar alguns desses vestidos", argumenta a curadora. É o caso de um vestido de renda branca decorado com bordados finos, criado para o casamento do czar Nicolau II e sua esposa, Alexandra Fiodorovna, em 1894, pouco depois dele ter tomado o trono. Costureiras passaram mais de seis meses criando a peça. Para manter as roupas muito frágil em perfeito estado, existe um regime de temperatura rigoroso de precisamente 21 graus Celsius, com umidade de 46 por cento e não há janelas para evitar danos causados ??pelo sol. Também no centro de restauração, os visitantes podem ver itens de mobiliário e até mesmo carruagens.