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  • 20/10/2017
  • 15:12
  • Atualização: 15:36

Catherine Deneuve questiona eficácia de campanhas nas redes sociais contra assédio

Icônica atriz francesa ainda disse que não "faria um julgamento moral" sobre Harvey Weinstein

Atriz, contudo, expressou simpatia pelas vítimas de abuso | Foto: Valery Hache / Arquivo AFP

Atriz, contudo, expressou simpatia pelas vítimas de abuso | Foto: Valery Hache / Arquivo AFP

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  • Correio do Povo

Catherine Deneuve, um dos principais nome do cinema, com mais de 60 anos de carreira, questionou a validade de denúncias de casos de assédio nas redes sociais, inspirada no caso Harvey Weinstein, investigado por estes dos casos. Em entrevista à edição francesa do jornal Huffington Post, a atriz disse que é terrível a inundação de relatos na Internet e levantou a eficácia de campanhas como #metoo (#EuTambém) e #BalanceTonPorc (#ExponhaTeuPorco). “É interessante falar sobre isso assim? Isso ajuda? Isso adiciona algo? Isso resolverá o problema de alguma forma?”, indagou a musa da francesa.

A parisiense de 73 anos, que na sequência dos acontecimentos de maio de 68 não hesitou em assinar o famoso manifesto pela descriminalização e a legalização do aborto, expressou simpatia pelas vítimas de abuso, dizendo que a situação era "vil para as mulheres que têm apenas essa maneira de testemunhar". Em outra entrevista, para a BFM TV, Deneuve recusou-se a criticar diretamente a Weinstein, dizendo que ela não "faria um julgamento moral sobre ele", mas que "as coisas deveriam ser”. Ao ser perguntada se já havia sofrido abuso ou assédio, Deneuve respondeu: "nunca disse nada sobre isso e não vou te contar nada".

A atriz já havia causado polêmica ao defender abertamente o cineasta Roman Polanski no caso de estupro envolvendo uma menor de idade em 1977 na época em diretor desistiu de presidir a cerimônia do César, o "Oscar francês", por pressão de grupos feministas. “É um caso que foi julgado, houve acordos entre Roman Polanski e essa mulher, que pediu que deixássemos de falar sobre isso. Além disso, sempre achei que a palavra estupro é muito forte”, declarou ao Daily Mail no período do importante festival.

Seu biógrafo Bernard Violet explica que a atriz "admite que ela não é uma feminista feroz. Mas ela ama as mulheres e reconhece suas dificuldades”. Falando sobre Polanski, o autor de “Deneuve, o Affranchie”, disse que "a artista está bem familiarizada com o diretor, cujos métodos de trabalho ela gosta, a constante hiperatividade e a sincera generosidade em relação aos atores. Então ela defende um amigo”.