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  • 12/05/2017
  • 13:50
  • Atualização: 14:22

Intelectuais e amigos lamentam a morte de Antonio Candido

Crítico morreu nesta sexta-feira aos 98 anos

Crítico morreu nesta sexta-feira aos 98 anos | Foto: USP Imagens / Divulgação / CP

Crítico morreu nesta sexta-feira aos 98 anos | Foto: USP Imagens / Divulgação / CP

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Intelectuais e amigos do crítico literário e sociólogo Antonio Candido lamentam a sua morte, ocorrida nesta sexta-feira. Candido, que tinha 98 anos, estava internado no Hospital Albert Einstein, na zona sul São Paulo, com problemas no intestino.

Dono de uma das obras mais fundamentais da intelectualidade brasileira e autor de livros fundamentais, Candido formou uma maneira de pensar a literatura brasileira que influenciou toda a crítica literária do País desde então. "Estava muito lúcido, era incrível. A gente conversava sempre. De repente isso aconteceu. A gente perdeu mais do que um amigo, mas o espírito de um tempo. Ele atravessou vários momentos da história, mesmo os sombrios, sem perder nenhum sentido dos valores, de todo o julgamento das coisas. Era de uma sutileza incrível", disse o filósofo Adauto Novaes. "A dificuldade das coisas que ele escrevia estava nessa simplicidade. Discutia tudo o que estava acontecendo no País. Nunca perdia o fio da história. Ele seguiu o curso do tempo, em todos os momentos do pensamento", concluiu.

"A Academia sempre quis que ele fosse candidato, sempre teve o maior empenho. Ele não aceitava por temperamento. Era um homem que não gostava muito dos holofotes", afirmou o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Domício Proença Filho. "Não poderia se dedicar como gostaria, morando em São Paulo, e com as múltiplas atividades que tinha. Ele sempre se recusou, com muita delicadeza. Era uma liderança intelectual. Era um dos nossos maiores críticos, dos mais representativos estudiosos da literatura brasileira", comentou ainda. "É um marco na crítica brasileira. Não fui aluno dele, mas foi meu mestre através dos livros. Estava muito lúcido e atuante, preocupado com o que está acontecendo na literatura e na cultura. Era interessado na vida do Brasil. Uma liderança intelectual, uma das pessoas que pensam o País", completou.

O presidente da Câmara Brasileira do Livro, Luis Antonio Torelli, afirmou em nota que "Antonio Candido foi para de grandes obras que refletiam e discutiam a cultura e a literatura brasileira". "Que seu conhecimento e produção intelectual continuem desenvolvendo críticos literários como ele", disse.

Professora de História Contemporânea na Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Aquino fez sua homenagem no Facebook. "Estou muito triste. Envio minhas condolências às minhas colegas Laura e Marina, suas filhas. Tive a honra de conhecer o Professor Antonio Candido e até merecer a sua admiração. O Brasil todo perde com o seu desaparecimento. Homens como ele são insubstituíveis."

Eduardo Suplicy, vereador de São Paulo pelo PT, publicou em suas redes sociais uma carta que recebeu de Candido em janeiro de 2015. "Dia triste: morreu o mestre Antonio Candido que nos deixou um legado imensurável de sabedoria. #RIP Uma sociedade ideal seria assegurar não só os meios materiais de vida, mas o acesso a todos os níveis de literatura", escreveu também.