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  • 05/06/2017
  • 13:11
  • Atualização: 13:54

Bob Dylan envia discurso de aceitação do Nobel e vai receber premiação

Músico fala da relação entre as suas letras e a literatura no texto

Dylan leu o discurso em áudio disponibilizado pela Academia Sueca | Foto: Istvan Bajzat / DPA / AFP / CP

Dylan leu o discurso em áudio disponibilizado pela Academia Sueca | Foto: Istvan Bajzat / DPA / AFP / CP

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  • AFP

Bob Dylan entregou à Academia Sueca o seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel de Literatura e poderá receber o prêmio em dinheiro de oito milhões de coroas suecas (923.000 dólares), informou a instituição nesta segunda-feira. "O discurso é extraordinário e, como esperado, eloquente. Agora que o discurso foi entregue, a aventura de Dylan está chegando ao fim", escreveu em um blog Sara Danius, secretária permanente da Academia Sueca que a cada ano concede esta premiação de prestígio.

No discurso, lido pelo próprio Dylan em um arquivo de áudio disponibilizado pela academia, o músico fala da relação entre as suas letras e a literatura. "Quando eu recebi esse Prêmio Nobel pela Literatura, eu fiquei me perguntando como minhas músicas se relacionavam com a literatura exatamente. Eu tive que refletir sobe isso e ver aonde estavam as relações", inicia ele, que também cita músicos que o inspiraram, como Buddy Holly, cuja música "mudou a minha vida", e livros que lhe impactaram, como "Moby Dick", "Nada de Novo no Front" ou "A Odisseia".

"Ouvindo todos os artistas populares do início e cantando suas músicas, você capta a língua. Você a internaliza. Você ouve todas as sutilezas, e aprende os detalhes", afirma o cantor, que também conta que "a linguagem popular era o único vocabulário que eu conhecia e eu o usei" quando começou a escrever suas próprias canções. Ele ainda revela algumas referências da literatura que foram determinantes para ele como compositor. "Eu tinha princípios, sensibilidade e uma visão informada do mundo. Aprendi tudo na escola de gramática. Com 'Dom Quixote', 'Ivanhoé', 'Robinson Crusoe', 'As viagens de Gulliver', 'Uma história em duas cidades' e todo o resto - leituras típicas da gramática que lhe dão uma maneira de ver a vida, a compreensão da natureza humana e um padrão para medir as coisas. Peguei tudo isso comigo quando comecei a compor letras. E os temas desses livros entraram em muitas de minhas músicas, seja conscientemente ou sem intenção. Eu queria escrever músicas contrárias a qualquer coisa que as pessoas há tinham ouvido, e esses temas eram fundamentais".

"Nossas músicas estão vivas na terra dos vivos. Mas músicas são diferentes da literatura. Elas são para ser cantadas, não lidas", falou ainda Dylan, o primeiro músico a ganhar o prestigiado Nobel de Literatura. As regras da academia determinam que para receber o prêmio em dinheiro deve entregar um discurso de aceitação. E isso deve ser feito dentro de um período máximo de seis meses depois de 10 de dezembro, data da cerimônia de premiação que coincide com o aniversário da morte de seu fundador, Alfred Nobel.

Como Thomas Mann, Albert Camus, Samuel Beckett, Gabriel García Márquez e Doris Lessing, o cantor e compositor americano, de 75 anos, entrou no panteão dos homens e mulheres de letras que foram recompensados pela Academia Sueca desde 1901. Após meses de suspense, Bob Dylan finalmente recebeu em 1º de abril seu Nobel de Literatura em uma reunião com a Academia Sueca.

Em uma escolha inesperada, que gerou indignação em algumas pessoas, Bob Dylan, cujo nome verdadeiro é Robert Allen Zimmerman, foi premiado em outubro por criar "novos modos de expressão poética dentro da grande tradição da música americana", segundo o anúncio da Academia.

Ouça o discurso de Bob Dylan: