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Porto Alegre, sexta-feira, 26 de Maio de 2017

  • 18/05/2017
  • 17:20
  • Atualização: 19:06

Paulo Ricardo reúne clássicos do rock em turnê minimalista

Feita para bar, "On the Rock" chega ao Opinião nesta sexta

Apresentação acontece no Opinião a partir das 20h30min | Foto: Isabella Pinheiro / Divulgação / CP

Apresentação acontece no Opinião a partir das 20h30min | Foto: Isabella Pinheiro / Divulgação / CP

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  • Correio do Povo

"Um show perfeito para apresentar no Opinião". Esta é uma das frases que Paulo Ricardo usa para definir "On the Rock", turnê que chega a Porto Alegre nesta sexta-feira, justamente no bar Opinião (José do Patrocínio, 834).

O projeto foi desenvolvido especialmente para o Baretto-Londra, bar do Hotel Fasano, no Rio de Janeiro, que tem cara de pub inglês e clima musical acentuado pelas diversas capas de vinis emulduradas que decoram as suas paredes. "O 'On The Rock' nasceu de uma necessidade de se adequar aquele espaço, que não é um espaço grande, é um pub, e, ao mesmo, tempo, reafirmar a minha ligação com o rock e poder também, aproveitando a atmosfera, fazer coisas de bandas que eu sempre ouvi, que eu curti, que eu gostaria de fazer algum dia mas nunca tive oportunidade", explica.

Paulo Ricardo comenta também uma nova lógica na carreira. No início, segundo ele, as bandas da cena rock da qual o RPM faz parte tocavam em muitos "barzinhos", mas não gostavam de tocar músicas dos outros, embora o local pedisse, numa forma de agradar o público. "Nós não admitíamos o cover, éramos muito radical. Então chega uma hora que a gente relaxa um pouco e acaba revisitando as canções que foram parte da tua formação e canções que você gostaria de cantar", afirma. Dessa forma, o "On the Rock" começou com quase três horas de shows porque "eu simplesmente ia me lembrando de uma canção e começava a fazer e as pessoas cantavam junto", como lembra o cantor.

O repertório, escolhido basicamente de acordo com o gosto pessoal de Paulo Ricardo, passeia por grandes clássicos de nomes como Jerry Lee Lewis, Rolling Stones, The Police e Queen. Artistas nacionas com quem ele trabalhou ou a quem ele gravou também ganharam espaço, como Cazuza e Renato Russo. Mas o artista tranquiliza os fãs: os sucessos do RPM e da carreia solo também estão no show, que pode ter muitas suspresas, pois ele admite sempre "inventar moda". Isso porque, apesar de usar um roteiro como base, ele gosta de sentir o momento e a vibração do público, o que pode acarretar em algumas substituições dentro da roteiro base que segue para seu repertório.

E tudo isso acontece numa apresentação minimalista e com clima totalmente intimista, diferente do que Paulo Ricardo estava acostumado a fazer. "Eu sinto uma grande diferença, tem muito espaço para voz e eu não preciso brigar com a banda. Eu não imaginava que pudesse ter tanta diferença. Eu me ouço bem, eu canto muito melhor. É mais fácil e mais prazeroso, como vocalista", comenta. Ele divide o palco apenas com o teclatista Ruben Cabrera e afirma que "menos é mais". O músico também conta que, por conta disso, "percebe que o show é feito de grandes canções, não precisa de muito aparato".

O artista comenta que relutou muito em adotar esse formato e que gosta muito de um rock pesado. "Eu venho do peso, de Led Zeppelin, nossa banda surgiu nos 80 anos com aquela explosão de tecnologia", explica. Entretanto, ele afirma que percebeu que o peso não está somente no barulho. "Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Tem canções que são densas e misteriosas. Tá tudo lá na apresentação. Tem músicas que são cheias de informações eletrônicas que a gente faz tão bom ou melhor. Para mim, como cantor, 'On the Rock' é a melhor coisa que já fiz na vida", resume.

E se o rock não está num momento bom, ele faz questão de investir e ainda convidar ao palco um artista da nova geração e um da geração dele. Os convidados para Porto Alegre foram Humberto Gessinger e Raoni, de Valente, que já confirmou presença. À capital gaúcha, Paulo Ricardo diz que é muito bom voltar por ela ser "o berço do rock, que independe do resto do Brasil" e porque ela guarda um lugar especial entre as cidades na qual já se apresentou, por ter impulsionado a carreira do RPM. Em outubro de 1985, durante um festival realizado na cidade e transmitido por uma rádio em cadeia nacional, a banda tocou "London London", que ainda não estava gravada por eles, e, conforme o músico, "a galera enlouqueceu".

"A coisa teve impacto tão grande que naquela noite começou a tocar a música no país inteiro. E em março a gente teve um reunião na gravadora e disseram que a música era a mais tocada no país, mas não tinha registro em disco, então as pessoas não tinham como comprar. Não tinha download e a pessoa tinha que gravar a (fita) cassete no rádio. Nós tivemos a metalinguagem da pirataria, nós fizemos com que a pirataria se tornasse realidade dentro do conceito de rádio pirata". Por conta da pressão do público e da gravadora, o RPM, em maio de 1986, gravou durante duas noites o disco "Rádio Pirata Ao Vivo", com "London London". Paulo Ricardo ainda completa: "eu me sinto eternamente grato a Porto Alegre por fazer parte dessa passagem do RPM de mais uma banda promissora para o fenômeno que acabou se tornando", finaliza. 

Nesta sexta, a apresentação de "On the Rock" na Capital acontece a partir das 20h30min. Os ingressos custam R$ 110,00 e podem ser comprados pelo site ou na bilheteria local.