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  • 24/03/2017
  • 18:48
  • Atualização: 18:56

Solo de Luciano Mallmann faz últimas sessões no Goethe

"Ícaro" traz seis histórias de cadeirantes, que mesclam ficção e realidade

Ator Luciano Mallmann é autor do espetáculo

Ator Luciano Mallmann é autor do espetáculo "Ícaro" | Foto: Divulgação / CP

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  • Vera Pinto

A insatisfação com o meio publicitário e a necessidade de expressão levou Luciano Mallmann a escrever em forma de depoimento, as suas experiências e de seus amigos, que resultaram no espetáculo "Ícaro", em últimas apresentações no Instituto Goethe (rua 24 de outubro, 1120), desta sexta a domingo, às 20h. Todas as seis histórias tem como ponto em comum homens e mulheres que passaram a usar cadeiras de rodas, após terem sofrido uma lesão medular.

No início havia apenas uma ideia vaga de fazer algo direcionado ao teatro, mas cada vez escrevia mais e os conhecidos o incentivavam. Sua amiga de longa data, a atriz e diretora Liane Venturella, ficou entusiasmada e o pilhou a fazer palestras, a serem apresentadas em seminários. Mas como é um artista e a ideia foi crescendo, ao trocar quatro frases teve certeza de que ela seria a melhor pessoa para dirigir a montagem, dada a sensibilidade exigida. Centrada totalmente no trabalho de ator, sem cenário e figurino, a peça com 1h de duração e mistura ficção com realidade. Ela começa com a concepção do espe´taculo e segue com relatos de uma menina tetraplégica, que não se relaciona bem com a mãe; um homem em coma, às voltas com alucinações; um suicídio assistido; e uma mulher que teve um filho.

"Não sou a favor da palavra 'superação', termo geralmente ligado a pessoas com deficiência. Porque todo mundo passa por isso, de uma forma ou de outra. Claro que após a tragédia precisei mudar, mas não tem como comparar sofrimento", diz Luciano, cadeirante há 12 anos. O ator gaúcho iniciou sua trajetória em 1991, na Cia das Índias, com direção de Zé Adão Barbosa. fez quatro espetáculos e duas novelas ("Mandacaru" e "Meu Bem Querer") e se mudou para o Rio de Janeiro, cinco anos depois, onde participou da Oficina de Atores da Globo e da peça "A Dama do Cerrado de Mauro Rasi.

Integrou o elenco de sete espetáculos, desde então, e em 2004, ao sofrer um acidente com tecido aéreo, passou a usar cadeira de rodas. Voltou para Porto Alegre, onde atuou como publicitário e em 2011 voltou a atuar, no drama rodrigueano "A Mulher Sem Pecado", que também produziu, com direção de Caco Coelho.