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Porto Alegre, segunda-feira, 26 de Junho de 2017

  • 12/04/2017
  • 12:33
  • Atualização: 13:41

Espetáculo "Valsa #6" apresenta experiência sensorial, vibrante e polifônica

Temporada da montagem pode ser conferida em Porto Alegre a partir desta semana

Gisela Sparremberger interpreta seis personagens, na versão de Caco Coelho para obra de Nelson Rodrigues | Foto: Marcio Garcia / Divulgação / CP

Gisela Sparremberger interpreta seis personagens, na versão de Caco Coelho para obra de Nelson Rodrigues | Foto: Marcio Garcia / Divulgação / CP

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  • Vera Pinto

O público percorrerá vários ambientes do Instituto Ling (João Caetano, 440), em Porto Alegre, vestindo ao entrar um macacão branco, da cabeça aos pés, e sendo conduzido por lanternas, no ambiente onde sentirá vários cheiros e será tocado e manipulado. Transcendendo a ideia de um espetáculo e objetivando uma experiência sensorial, o diretor Caco Coelho dirige “Valsa #6”, de Nelson Rodrigues, com sessões nesta quarta e quinta-feira, às 20h30min, de 19 e 20 de abril e de 2 a 6 de maio (dias 5 e 6 também haverá às 18h). Os ingressos custam R$ 40.

Escrito em 1951, o texto foi o primeiro grande sucesso do dramaturgo, após “Vestido de Noiva”. A protagonista está morta, livre do cotidiano atribulado e da tortura da vida; e ao longo da narrativa, fragmentos da vida vêm à tona. Daí a necessidade da “assepsia da morte”, com roupa especial para que os espectadores entrem no clima e a higienização, por fumaça. “Este é o ponto máximo de Nelson como instrumento de polifonia, ou seja, o mesmo autor dando vozes diversas aos seus personagens”, detalha Caco, que há dez anos sonhava montar a peça e há cinco meses a materializou.

Sônia tem 15 anos e está prestes a ir no seu primeiro baile, ao ver o namorado beijando outra no espelho. Começa a ter visões e chama o médico da família. Ao tocar a “Valsa nº 6” de Chopin, que dá título à peça, é apunhalada. O monólogo traz todos os envolvidos em sua vida: o pai, a mãe, a rival, doutor Junqueira, o sedutor Paulo e principalmente ela, quase adolescente e prestes a se tornar adulta. Ambas se debatem, entre hormônios, expectativas e privações.

Para a montagem, com patrocínio do Zaffari, o diretor se cercou de uma equipe de 30 pessoas. “Não tem deboche nem sacanagem, mas a plateia está dentro do espetáculo, ela não estará parada. Ela será testemunha de um fato”, diz Caco.