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10/07/2014 16:52 - Atualizado em 10/07/2014 17:21

Dilma afirma que "ditadura limita os sonhos"

Presidente disse que que abuso policial e situação carcerária são dois dos grandes desafios do País

Presidente disse que que abuso policial e situação carcerária são dois dos grandes desafios do País<br /><b>Crédito: </b> Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP
Presidente disse que que abuso policial e situação carcerária são dois dos grandes desafios do País
Crédito: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP
Presidente disse que que abuso policial e situação carcerária são dois dos grandes desafios do País
Crédito: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP

A presidente Dilma Rousseff disse que nunca sonhou em ser presidente e que o abuso policial e a situação carcerária são dois dos grandes desafios do País. Ela também falou sobre o período da ditadura e as torturas que sofreu na época. As declarações foram dadas em uma entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da rede norte-americana CNN.

Sobre o fato de ter sido torturada no período da ditadura militar, Dilma disse que é difícil viver sob um regime desses, que "limita os sonhos". A presidente exemplificou que, na época, até mesmo greves e protestos eram vistos como ofensa ao regime. "Quando jovem, lutei contra a ditadura e me orgulho disso", destacou.

Sobre as torturas que sofreu, Dilma revelou que a única forma de tolerar os abusos físicos e psicológicos é enganando a si mesmo. "Não é fácil tolerar a tortura. Só dizendo para você mesmo que você pode aguentar um pouco mais e um pouco mais", comentou.

Questionada sobre que tipo de tortura sofreu, Dilma disse que foi torturada como os outros brasileiros da época também eram e que o choque elétrico é a pior forma de tortura. Qualquer um que tenha praticado tortura perdeu sua humanidade", avaliou, destacando que os regimes que empregam esse tipo de opressão não se sustentam. "Nunca vi tortura que não destruiu o sistema que a empregava", ponderou. A presidente, no entanto, disse não guardar rancores por ter sido vítima do regime militar. "Não se pode ter raiva de quem o torturou", disse. "A raiva não pode moldar a sua ideologia".

Falando sobre a atual situação do País, Dilma afirmou que o Brasil derrotou a tortura institucionalmente e que ganhou o amor pela democracia. Confrontada com dados que refletem abusos físicos e até mesmo mortes por parte de policiais, a presidente admitiu que este é um dos maiores desafios que o Brasil tem, assim como a atual situação carcerária.

Corrupção

A presidente afirmou que a corrupção é uma questão central a ser combatida no Brasil. Dilma disse que sua gestão a frente do País defende "tolerância zero" com atos de corrupção. A presidente citou o Portal Transparência Brasil, que publica todos os gastos do governo federal em menos de 24 horas após os gastos terem sido realizados. Ela destacou também o papel da Polícia Federal na investigação de crimes na administração pública.

Segundo a presidente, 90% dos casos que são hoje levados ao conhecimento público partiram de investigações da PF. A presidente afirmou ainda que atualmente, no Brasil, corruptos e corruptores respondem pelos crimes, o que é uma postura essencial, já que um não existe sem o outro.

Espionagem

Dilma também comentou o incidente diplomático envolvendo o Brasil e os Estados Unidos, quando foram reveladas práticas de espionagem por parte dos norte-americanos que tinham como alvo empresas e o governo brasileiro, inclusive ela própria. A presidente brasileira isentou o colega norte-americano da responsabilidade sobre o caso. "Não acredito que a responsabilidade da espionagem seja da administração Obama", comentou.

Segundo ela, trata-se de todo um sistema instalado nos Estados Unidos, especialmente depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Dilma foi firme ao rechaçar as práticas reveladas pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden. "Não aceitamos, nem aceitaremos que governos e empresas brasileiras sejam espionados", sentenciou. Segundo a presidente, esse tipo de prática atinge direitos de privacidade e liberdade de expressão dos brasileiros.

Dilma disse que a decisão de suspender a visita de Estado a Washington, agendada para outubro de 2013, não representa uma quebra de laços com a administração Obama. Segundo ela, na época, o governo brasileiro pediu garantias e que alguma autoridade norte-americana se responsabilizasse para que aquelas práticas de espionagem não acontecessem de novamente. "Deixamos claro para os Estados Unidos que a espionagem não poderia continuar como estava", comentou.

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Fonte: AE






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