Porto Alegre, terça-feira, 25 de Novembro de 2014

  • 12/07/2014
  • 07:38
  • Atualização: 07:51

Ofensiva israelense em Gaza deixa mais de 120 mortos

Obama conversou com Netanyahu para oferecer a mediação e restabelecer a calma no Oriente Médio

Ofensiva israelense em Gaza deixa mais de 120 mortos | Foto: Jack Guez / AFP / CP

Ofensiva israelense em Gaza deixa mais de 120 mortos | Foto: Jack Guez / AFP / CP

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  • AFP

Os ataques aéreos israelenses contra Gaza prosseguiam neste sábado, no quinto dia de uma ofensiva que provocou a morte de mais de 120 palestinos. O movimento radical Hamas, que governa a Faixa de Gaza, manteve a postura de desafio e lançou seis foguetes contra Israel desde meia-noite. O grupo rejeita os apelos internacionais pelo fim das hostilidades e alega que Israel deve aplicar o cessar-fogo primeiro.

Em um esforço diplomático para tentar acabar com a violência, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ligou para o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para oferecer a mediação e restabelecer a calma no Oriente Médio.

Mas em uma entrevista coletiva, Netanyahu descartou o fim da ofensiva militar contra Gaza antes de alcançar o objetivo de deter os ataques do Hamas. "Nenhuma pressão internacional nos impedirá de atacar, com toda nossa força, as organizações terroristas que proclamam nossa destruição", declarou Netanyahu.

Depois de semanas de ataques com foguetes, Israel parece decidido a aplicar um golpe fatal no Hamas. Ao mesmo tempo, Ismail Haniya, ex-primeiro-ministro de Gaza e principal nome do Hamas no território, descartou a possibilidade de interromper as hostilidades. "Israel começou esta agressão e tem que parar. Nós estamos apenas nos defendendo", disse.

Intervenção terrestre

Os preparativos para um possível ataque terrestre continuam e Israel já convocou 40 mil reservistas. Tanques israelenses podiam ser observados em deslocamento durante a noite na direção de Gaza. "No momento estamos na primeira fase: ataques aéreos. Imagino que decidiremos no domingo sobre a próxima etapa", afirmou na sexta-feira o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman.

O novo conflito é o mais violento desde a operação "Pilar de Defesa" de novembro de 2012. Os ataques dos dois lados na ocasião provocaram as mortes de 177 palestinos e de seis israelenses. Em Gaza, 16 palestinos morreram neste sábado em uma onda de bombardeios israelenses. No total, a operação israelense "Protective Edge" ("Barreira Protetora") deixou até o momento 121 mortos e 700 feridos, em sua maioria civis.

O exército israelense anunciou que "afetou significativamente as capacidades do Hamas". A aviação atingiu 158 objetivos vinculados ao Hamas em 24 horas na Faixa de Gaza, incluindo 68 lança-foguetes, 21 bases paramilitares e esconderijos de armas, um deles dissimulado dentro de uma mesquita, segundo um comunicado militar.

Mais de 520 foguetes foram lançados a partir de Gaza e 138 destruídos em pleno voo desde o início das hostilidades. Até o momento não foram registradas vítimas fatais do lado israelense, apenas feridos.

O novo episódio de violência começou após o sequestro e assassinato de três estudantes israelenses no início de junho na Cisjordânia ocupada, crimes que Israel atribuiu ao Hamas. Pouco depois, um jovem palestino foi assassinado em Jerusalém por judeus de extrema-direita.

Onda de protestos nos países árabes

A ofensiva de Israel contra Gaza provocou uma onda de protestos dos países árabes. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu um cessar-fogo. Os ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe se reunirão na segunda-feira no Cairo para abordar a crise.

O Egito, mediador tradicional nos conflitos entre Israel e Hamas, permanece mais "neutro" na crise. O governo egípcio informou na sexta-feira que mobilizou esforços para deter a violência, mas esbarrou na "teimosia" das duas partes.

Com a crise em Gaza, 34 associações humanitárias internacionais apelaram por um cessar-fogo e pelo respeito aos direitos humanos no território palestino. A Anistia Internacional pediu à ONU uma investigação internacional independente sobre as violações do direito internacional dos dois lados.

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