Porto Alegre, domingo, 23 de Novembro de 2014

  • 12/07/2014
  • 15:53
  • Atualização: 16:17

Prefeitura tem cronograma para terminar obras da Copa

Nove construções espalhadas de Norte a Sul permanecem inacabadas

Empreendimentos, como Viaduto da Nova Bento, só foram possíveis porque Porto Alegre sediou Mundial | Foto: Mauro Schaefer

Empreendimentos, como Viaduto da Nova Bento, só foram possíveis porque Porto Alegre sediou Mundial | Foto: Mauro Schaefer

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  • Fernanda Pugliero / Correio do Povo

A Copa do Mundo passou por Porto Alegre e deixou um rastro de obras pela cidade. Três delas ficaram prontas a tempo de receber o Mundial. Em especial, localizadas no entorno do Beira-Rio, que sediou cinco jogos do evento, e o viaduto da Júlio de Castilhos, na entrada da cidade pela rodoviária. A prefeitura investiu R$ 97 milhões em recursos próprios para agilizar a entrega das obras próximas ao estádio. Nove construções espalhadas de Norte a Sul permanecem inacabadas. A prefeitura, no entanto, se mostra otimista. Os canteiros de obras espalhados pela Capital devem ver seu fim, no máximo, até o final do próximo ano.

Entraves atrasam andamento de obras da Copa

O legado da Copa melhorará a mobilidade urbana da cidade, tanto para os usuários de veículos particulares, que não param de aumentar, quanto para aqueles que dependem do transporte público. “Essas obras só foram possíveis porque sediamos Copa”, afirma o secretário de Gestão, Urbano Schmitt. Enquanto outras cidades-sede optaram por incluir estádios entre as obras para o Mundial, Porto Alegre aproveitou a oportunidade de financiamento a juros baixos e prazo adequado para incluir projetos que beneficiam a população a longo prazo. Entre as 12 sedes, a Capital foi a que mais incluiu obras na matriz de responsabilidades da Copa, com valor total de R$ 888.704.053,52.

No meio do caminho, a prefeitura decidiu retirar as 14 obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Copa e incluir no PAC Mobilidade. “Achamos mais adequado sair do PAC Copa para não perder o recurso quando percebemos algumas pedras no caminho”, explica o secretário Schmitt.

A prefeitura tem uma lista de explicações para justificar os atrasos na conclusão das construções. A falta de areia e a dificuldade de modificar o trânsito retardaram a execução das pistas do sistema Bus Rapid Transit (BRT) nas avenidas João Pessoa, Protásio Alves e Bento Gonçalves, que estão 60%, 92% e 98% concluídas, respectivamente. O financiamento do governo federal, que deveria ter chegado em junho de 2013, apareceu apenas em maio deste ano. O projeto das estações está em fase de conclusão, mas não há estimativa de quando serão instaladas.

Viaduto a pleno vapor

Os engenheiros responsáveis pela construção do viaduto da Nova Bento estão confiantes. Segundo eles, a obra anda em ritmo adequado. A expectativa no momento é que seja viabilizada em breve a desapropriação de algumas residências para a construção de uma alça de acesso lateral do viaduto. Cerca de cem operários trabalham no local, das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira.

O viaduto ligará as avenidas Doutor Salvador França e Coronel Aparício Borges sobre a avenida Bento Gonçalves. Terá a extensão total de 540 metros. Serão duas faixas para o trânsito de veículos, além de uma para circulação de ônibus em cada sentido.

O trabalho se iniciou em agosto de 2012 e a estimativa é terminar até o final deste ano. Alguns moradores do local, no entanto, reclamam da demora e da confusão quanto à desapropriação dos imóveis. “A nossa intenção é continuar morando aqui, pois eles não querem pagar indenização, apenas aluguel social”, reclama Iolanda Fagundes, de 79 anos. Ela e o marido, Hugo, construíram sua casa há 40 anos, sobre um terreno que pertence ao Estado. “Deveriam ter nos avisado antes que teríamos que sair”, lamenta-se Iolanda.

Desapropriações atrasam construção

A judicialização de processos de desapropriação atrasou o andamento da construção da passagem subterrânea de veículos na avenida Cristóvão Colombo sob a III Perimetral. O túnel terá extensão de 198 metros, contando com duas faixas de trânsito em cada sentido, sem falar nas alças de acesso para a III Perimetral.

Após alguns avanços na questão das desapropriações, os operários voltaram ao trabalho, começando pela parte elétrica do local. Na última semana, 25 trabalhadores da construção civil preparavam pilares de concreto, que serão colocados nas laterais do trecho como sustentação da obra e para evitar abalos nas edificações do entorno. A perfuração para a colocação dos pilares deve ocorrer no início da semana.

Os moradores queixam-se do barulho do empreendimento. A obra já dura dois anos. Os operários trabalham de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, e, no sábado, até o meio-dia. O mestre de obras explicou que até as 8h não são executadas atividades que causem ruído, para aliviar a tensão criada entre operários e moradores. A prefeitura estima que a passagem subterrânea de veículos da avenida Cristóvão Colombo sob a III Perimetral ficará pronta até o próximo ano.

Técnica interferiu até no espaço aéreo

Um problema no projeto da passagem subterrânea da avenida Ceará para acesso à III Perimetral fez a obra parar. Durante o andamento da construção do complexo, foi constatado que as características do solo, com nível elevado de lençol freático, exigiriam a adoção de técnica que garantisse a estabilidade da estrutura. Tal técnica demanda a utilização de equipamentos de grande porte, que atrapalhariam o espaço aéreo do Aeroporto Salgado Filho. Para não comprometer as operações dos voos da Infraero e do V Comando Aéreo Regional da Aeronáutica, foi necessária uma autorização especial, concedida pelas entidades do setor aéreo à prefeitura. No entanto, os trabalhos só poderiam ocorrer à noite, enquanto que o contrato da obra prevê serviços diurnos. Agora, a prefeitura elabora um aditivo contratual para retomar os trabalhos.

A obra iniciada em 2012 deve ficar pronta até 2015. Enquanto isso, um posto de combustível localizado na esquina da Avenida dos Estados ao lado do viaduto Leonel Brizola serve de acesso local e permite o retorno aos veículos. “A prefeitura queria fechar o posto, mas daí iríamos à falência”, comenta o gerente, Sandro Flores. O custo da obra deve ser de R$ 29,5 milhões.

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