Porto Alegre, terça-feira, 21 de Outubro de 2014

  • 18/07/2014
  • 08:41
  • Atualização: 08:43

Campanhas patinam na busca de recursos

Partidos admitem dificuldade em levantar doações junto a empresas

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  • Iuri Ramos / Correio do Povo

O tempo reduzido para a campanha eleitoral, abreviado pela Copa do Mundo, e a falta de disponibilidade das empresas em repetir as volumosas doações de outras eleições, devem mudar a cara das campanhas majoritárias no Estado neste pleito. A carência de recursos já é sentida em vários comitês, que começam a admitir a dificuldade.

De acordo com João Carlos Bona Garcia, responsável pela arrecadação da campanha de José Ivo Sartori (PMDB) ao Piratini, por esta razão, a disputa deverá ser curta e rápida. “Ainda está tudo muito lento, até mesmo a participação dos candidatos está devagar”, afirmou. Ele acredita que todos os partidos terão dificuldades semelhantes para arrecadar recursos financeiros. “Vamos ter contribuições, certamente, mas em uma escala mais reduzida do que em eleições anteriores. O que um partido passa, o outro também vai passar. Não tenho dúvida que a visão sobre financiamento de campanha mudou”, avaliou.

Como forma de diminuir os custos, Bona Garcia aposta no uso das redes sociais para atingir um grande número de eleitores. “Ainda estamos engatinhando na questão das redes sociais, temos que usar a velocidade da informação de uma forma muito mais barata. O eleitor está mais exigente do que nunca.” Para ele, as pessoas vão procurar saber dos candidatos e votar mais pela biografia do que pela campanha de rua.
O problema financeiro está presente também na campanha à reeleição de Tarso Genro (PT). De acordo com o administrador financeiro João Vieira, responsável pelas contas da campanha à reeleição, o partido gostaria que a atual disputa já fosse regrada com as mudanças da reforma eleitoral. “Somos favoráveis ao financiamento público de campanha, mas à medida que não se mudou a lei, acredito que todos terão dificuldades de arrecadação”, declarou.

Apesar da disputa mais curta, Vieira salienta que os maiores custos para as coligação são com a produção de programa de televisão. “É o que representa os maiores gastos e isso não muda com a campanha mais curta”, projetou. Segundo ele, o uso de materiais impressos está com os dias contados. “Isto está acabando. A distribuição de panfletos e santinhos, na minha avaliação, são marcas de campanhas antigas”, disse.

Bona Garcia aponta que a falta de materiais nas ruas fará com que a população demore para entrar em clima de eleição. “Tivemos a Copa do Mundo que matou quase um mês de campanha, e ainda não vemos as campanhas nas ruas. O clima de eleição ainda vai demorar pelo menos até meados de agosto”, disse.

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