Porto Alegre, domingo, 21 de Dezembro de 2014

  • 18/07/2014
  • 15:37
  • Atualização: 15:48

Mais 18 são indiciados por tragédia da Kiss

Crimes correspondem a irregularidades nas licenças e alvarás de funcionamento da boate

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  • Correio do Povo e Rádio Guaíba

A Polícia Civil de Santa Maria divulgou na tarde desta sexta-feira o resultado das investigações referentes a dois novos inquéritos sobre o incêndio na boate Kiss, que causou a morte de 242 pessoas em 27 de janeiro do ano passado. Após meses de investigação, 22 novos indiciamentos referentes a 18 pessoas foram anunciados durante pronunciamento dos delegados responsáveis.

Em quase quatro mil páginas, a polícia compilou os depoimentos de testemunhas e interrogados para compor o relatório final, que culminou nos novos indiciamentos. Foram investigados crimes referentes à liberação de alvarás por parte da Prefeitura e também relacionados à legislação ambiental.

Agora, o inquérito vai ser remetido ao Ministério Público, que decide de oferece ou não as denúncias à Justiça. Caso o entendimento do MP seja favorável à investigação da polícia, o caso pode ganhar 18 novos réus. Atualmente, quatro pessoas respondem pelo caso na justiça civil e outras oito na justiça militar.

As investigações apontaram irregularidades e facilitações por parte da Prefeitura Municipal nas emissões das licenças e alvarás para o funcionamento da casa noturna, e também falsificações na pesquisa de impacto de vizinhança e suposto crime ambiental de poluição sonora cometida pela boate.

A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro de 2013. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o incêndio teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.


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