Porto Alegre, domingo, 23 de Novembro de 2014

  • 19/07/2014
  • 16:12
  • Atualização: 16:20

Casamento gay em CTG causa polêmica em Santana do Livramento

Cerimônia marcada para setembro reunirá casais hetero e homoafetivos

Casamento gay em CTG causa polêmica em Santana do Livramento | Foto: Daniel Badra / Especial / CP

Casamento gay em CTG causa polêmica em Santana do Livramento | Foto: Daniel Badra / Especial / CP

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  • Jango Medeiros / Correio do Povo

A realização de um casamento coletivo para casais hetero e homoafetivos no CTG Sentinelas do Planalto em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, está causando polêmica. O coordenador da 18ª Região Tradicionalista do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Ruy Rodrigues, salienta que o CTG não é local para sediar esse tipo de cerimonial. Ele diz que o movimento não vai punir ou intervir e deixará que a população e os tradicionalistas façam seu julgamento.

Já a juíza titular da Vara Especializada em Família de Livramento, Carine Labres, confirma a realização da cerimônia, em 13 de setembro, véspera da abertura oficial da Semana Farroupilha. O primeiro casamento civil com casais heterossexuais e homoafetivos no município ocorreu no Fórum, em março, com 56 pares, incluindo um de duas mulheres.

Segundo a magistrada, em nenhum momento, quando foi definido um CTG para celebrar o casamento, pensou-se em realizar qualquer tipo de afronta e que o interesse foi de valorizar o espaço e a instituição da família. “Está havendo um equivoco de interpretação, pois a família se identifica pelo amor e afeto legítimo.” Ela diz que há quatro casais homoafetivos inscritos para o cerimonial. “Toda a repercussão traz à pauta um debate para que a sociedade discuta e compreenda a legitimidade”, salienta. Carine lembra que dos cinco CTGs procurados na cidade o único que abriu as portas foi o Sentinelas. As inscrições para o evento estão abertas no Fórum.

Rodrigues afirma ainda que desde 2005 o Sentinelas do Planalto não faz parte do grupo de CTGs do Estado, descredenciado por falta de pagamento das contribuições. Para ele, a entidade não poderia continuar usando essa denominação, conforme indica o Estatuto do MTG. Já o patrão do Sentinelas do Planalto, Gilbert Gisler, alvo de críticas dos tradicionalistas, assegura que a entidade mantém vínculo de filiação com o MTG.

“Reconhecemos a dívida de quatro ou cinco anuidades, mas em nenhum momento fui comunicado da desfiliação”, afirma. Ele lembra que há poucos dias chegou correspondência da 18ª RT endereçada ao Sentinela do Planalto, o que comprovaria a ligação.  Sobre o casamento, Gisler comenta que em nenhum inciso a Carta de Princípios faz restrições discriminatórias.

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