Porto Alegre, terça-feira, 21 de Outubro de 2014

  • 23/07/2014
  • 14:11
  • Atualização: 14:13

Reajustes salariais ficaram acima da inflação em 2013, aponta Dieese

Enquanto o aumento real no RS foi de 3,56%, no Brasil a taxa foi de 2,6%

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  • Jéssica Mello / Correio do Povo

Cerca de 94,6% das 74 unidades de negociações dos setores da Indústria, Comércio, Serviços e Rural no Rio Grande do Sul conquistaram reajustes acima da inflação para os pisos salariais em 2013. Os valores acordados, segundo o estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), variam entre R$ 678,00 e R$ 1.554,52, enquanto o valor médio ficou em R$ 843,75, cerca de 10% superior ao registrado em 2012, mesmo crescimento do reajuste do mínimo regional. O aumento real dos pisos salariais, segundo o INPC-IBGE foi de 3,56%, valor próximo ao aumento do piso regional.

Enquanto o aumento real no Rio Grande do Sul foi de 3,56%, no Brasil a taxa foi de 2,6%. Em todo o país, 95% das 685 unidades de negociação registraram crescimento superior a inflação. Os valores variam entre R$ 678,00 e R$ 3.600,00, com média de R$ 879,04, valor 9% maior do que em 2012.

Os aumentos reais se concentram nas faixas de ganho de até 4% acima da inflação, com maior incidência nas faixas entre 2% e 3% e entre 3% e 4%. Os setores de indústria e comércio estão, principalmente, nas faixas de 2% a 3%, enquanto serviços está de 1% a 2% e rural de 4 a 5% de aumento real.

“A política de valorização do piso regional influenciou nas negociações ao servir de referência nos acordos entre entidades sindicais e patronais”, afirma a economista do Dieese Daniela Baréa Sandi. Dessa maneira, 50% recebem salários entre R$ 750,01 e R$ 850,00. O setor de serviços é o que registra os maiores valores de pisos, com valores que variam de R$ 1.500,01 a R$ 1.600,00, o que contempla bancários e seguradores, por exemplo.

Para 2014, a expectativa do Dieese é de um comportamento semelhante, com reajustes superiores à inflação. O departamento vincula a situação à conjuntura econômica que tem registrado baixas taxas de desemprego, crescimento dos rendimentos e o reajuste do piso regional e salário mínimo acima da inflação. “Para melhorar os ganhos dos trabalhadores temos que ampliá-los além da inflação. O salário mínimo deveria ser para quem está começando, ou seja, a minoria, mas no Brasil ocorre o contrário, quando a maioria recebe esse valor”, ressalta Daniela.

No ano passado, 23% das unidades participantes da pesquisa definiram um único valor de piso salarial em seus acordos ou convenções coletivas, taxa um pouco maior do que em 2012, quando foi de 20,3%. Os pisos diferenciados somam 77%, o que inclui variações por função, duração de jornada, tempo de serviço, vigência do valor, dimensão da empresa e localidade da empresa.

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