Porto Alegre, quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

  • 24/07/2014
  • 23:20
  • Atualização: 23:25

Empresa investigada pelo MP na operação Leite Compen$ado foi arrendada

Pavlat cogita acionar o Estado pedindo indenização por ter sido punida sem prova

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  • Rádio Guaíba

Investigada pela Operação Leite Compen$ado, do Ministério Público Estadual, a empresa de beneficiamento de leite Pavlat, de Paverama, no Vale do Taquari, revelou nesta quinta-feira ter sido arrendada pela McGrif Foods, que detém plantas no Paraná, São Paulo e Minas Gerais. De acordo com um comunicado enviado à imprensa, o negócio só teve o aval dos acionistas do grupo após uma diligência descartar que o leite UHT, processado pela Pavlat desde 2011, tenha sido alterado com substâncias nocivas à saúde ou que possam alterar o valor nutricional do produto.

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A venda decorre da decisão dos acionistas da Pavlat de se afastar da atividade de beneficiamento após as denúncias de adulteração. Conforme a nota, “ainda que não tenha sido encontrada nenhuma evidência de alteração nos produtos”, os prejuízos acumulados impossibilitaram a empresa de seguir operando e de honrar os compromissos com produtores de leite, funcionários e fornecedores.

Segundo a empresária Ana Klein, no leite UHT embalado e industrializado pela Pavlat nunca foi encontrada a presença de formol, soda cáustica, citrato ou carbonato e, em todos os lotes de leite analisados pelos laboratórios oficiais e credenciados pelo Ministério da Agricultura, foram obtidos resultados dentro dos parâmetros preconizados pela Pasta.

“Contratamos um importante escritório de advocacia para estudar a viabilidade legal de acionar o Estado para que esse pague indenização suficiente para cobrir os danos materiais e morais, tendo em vista que até que se prove o contrário, a Pavlat foi envolvida na Operação Leite Compen$ado sem motivos”, sustenta Ana. “Tivemos um prejuízo impagável, nossa família foi duramente atingida e tivemos que abrir mão do nosso negócio. Fomos punidos por algo que não foi provado”, finaliza.

Dono da empresa foi denunciado por 24 crimes pelo MP

Em maio, o Ministério Público Estadual ofereceu ao Judiciário, denúncia contra 14 pessoas por envolvimento em um suposto esquema de fraude desarticulado pela Operação Leite Compen$ado. Dias antes, foram presas três pessoas, incluindo o proprietário da Pavlat, Ércio Klein, que junto de dois representantes da marca Hollmann, pode vir a responder, na Justiça, por adulteração de produto alimentício.

Também foram denunciados 11 transportadores ligados às indústrias investigadas pelo MP. No total, o promotor Mauro Rockenbach apontou a ocorrência de 69 crimes. Conforme ele, esse foi o total de adulterações verificadas na etapa da operação. A pena para cada crime varia de quatro a oito anos. O MP defende que o proprietário e o funcionário da Hollmann respondam por 45 crimes cada e o dono da Pavlat, por mais 24.

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