Porto Alegre, sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

  • 26/07/2014
  • 13:23
  • Atualização: 14:13

Morre Ronaldo Mourão, maior nome da astronomia brasileira

Astrônomo sofreu um derrame e estava internado no hospital com pneumonia

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O astrônomo e físico Ronaldo Mourão morreu no Rio, aos 79 anos. Considerado o maior nome da astronomia brasileira, tendo deixado de seguir carreira no exterior para desenvolver a ciência no Brasil, ele sofrera recentemente um derrame e estava internado no Hospital Quinta D'Or com pneumonia. O corpo será enterrado em cerimônia marcada para as 15h deste sábado, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju. 

Com dezenas de livros publicados em mais de cinco décadas de profissão, Mourão trabalhou pela democratização de seu campo de conhecimento. Produziu programas de rádio e escreveu para jornais e revistas. Dava entrevistas sobre assuntos de interesse do público leigo, como a existência de vida inteligente em outros planetas e a colonização de Marte, que considerava uma possível forma de contornar a superlotação da Terra no futuro. 

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão nasceu no Rio em 1935. Aos 17 anos, ainda na escola, já publicava artigos científicos. Na Universidade do Estado da Guanabara (hoje Uerj), estudou física. Antes mesmo de se formar tornou-se auxiliar de astrônomo do Observatório Nacional e publicou trabalhos oriundos da observação de Marte em revistas estrangeiras especializadas. Os convites para participar de simpósios internacionais, os quais percorreria a vida toda, começaram ali. 

Tornou-se especialista em estrelas duplas visuais, que são aquelas que aparentam estar próximas uma da outra quando vistas da Terra por um telescópio. A ele é creditada a descoberta de uma estrela e de diversos asteroides. Com bolsas, estudou e trabalhou na Bélgica e na França - obteve o título de doutor pela Universidade de Paris com distinção em 1977. Mourão era integrante de todas as mais relevantes sociedades de astronomia do mundo. Movido pelo desejo de contribuir para o desenvolvimento da astronomia brasileira, voltou ao País depois do doutorado e reassumiu a função de astrônomo no Observatório Nacional. 

A fim de desmistificar conceitos complexos, publicou no Jornal do Brasil artigos sobre pesquisas e criou uma série
intitulada "O céu do mês"; no 'O Globo, manteve uma coluna sobre o céu brasileiro. Para o Projeto Minerva, programa de rádio elaborado pelo Ministério da Educação reproduzido por todas as emissoras brasileiras, produziu a série "Céu do Brasil", que associava fenômenos astronômicos a manifestações populares. Além das estrelas duplas, as maiores contribuições de Mourão para a ciência foram no campo dos asteroides, dos cometas e dos estudos sobre a posição das estrelas e outros corpos celestiais. 

Ele foi do grupo fundador, em 1984, do Museu de Astronomia e Ciências Afins, no Rio, uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação que forma mestres e doutores. Sua missão é "ampliar o acesso da sociedade ao conhecimento científico e tecnológico por meio da pesquisa, preservação de acervos, divulgação e história da ciência e da tecnologia no Brasil." Em 1988, publicou pela editora Nova Fronteira o seu Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, com cerca de 20 mil verbetes. 



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TAGS » Morte, Geral, Astronomia