Porto Alegre, domingo, 23 de Novembro de 2014

  • 26/07/2014
  • 16:00
  • Atualização: 16:01

Socós buscam abrigo em praça de Alegrete

Problema devido à migração demandaria manejo adequado dos pássaros

Aves podem ter perdido seus habitats | Foto: Letícia de Freitas / Especial / CP

Aves podem ter perdido seus habitats | Foto: Letícia de Freitas / Especial / CP

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  • Alair Almeida / Correio do Povo

A população de Alegrete acompanha o movimento de socós na revoada de todos os fins de tarde e amanhecer nas árvores da praça Getúlio Vargas. Antes, esses pássaros ocupavam plantas próximas ao chafariz e banheiros da área verde, mas agora buscam os galhos das tipuanas mais ao Leste, ao lado de um quiosque, para passar a noite. Porém, após a passagem das aves, os bancos sob as árvores não podem ser utilizados por causa da sujeira feita pelos pássaros. Equipes das feiras livres que funcionam em dias alternados também não podem ocupar a área e questionam o que pode ser feito. Na tentativa de afugentar os socós, há quem faça foguetório, sem surtir efeito.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente tem um trabalho feito por bióloga sobre a presença dos pássaros. O titular da Pasta, Arildo Gonçalves de Oliveira, informa que está acompanhando o caso e vê como uma das saídas o manejo das aves. A explicação vem de pesquisa feita pela bióloga Letícia Souto de Freitas, que estuda o comportamento desses pássaros. Ela relata que, em Alegrete, é possível há alguns anos observar a revoada de aves que procuram abrigo e pernoite na praça central. São a garça-branca-pequena, o tapicuru-de-cara-pelada, conhecido regionalmente como corvinho, e a maria-faceira ou socó. Os dois primeiros encontram-se em bandos mistos sobre lavouras.

Já o socó é a espécie vista em maior número na praça e tem como principal característica o colorido da plumagem e do bico. É uma ave originalmente brasileira, anda com o par e, embora passe o dia em áreas úmidas, procura ambiente seco à noite. A espécie foi inclusive encontrada fazendo ninhos na praça.

Segundo Letícia, o deslocamento dessas espécies para o ambiente urbano à noite pode ser atribuído a situações como a expansão agrícola e a perda de hábitats, bem como a ausência de predadores na cidade ou a simples existência de árvores que propiciam abrigo. No entanto, segundo ela, a falta de estudos sobre a fauna e flora locais não permite fazer afirmações.

Sabe-se que as fezes ácidas das aves, em grande quantidade, danificam a vegetação do local onde pernoitam e causam desconforto à população. Porém, conforme a lei 9.605/98, matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre, sem licença ou em desacordo com esta, é crime passivo de detenção e multa. Assim, no caso de Alegrete, a comunidade deve cobrar a solução do problema ao município, que pode realizar limpeza do local e estudos para o manejo, recomenda a bióloga.

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