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26/07/2014 18:42 - Atualizado em 26/07/2014 18:43

Partidos lucram com campeões de votos

Siglas com deputados bem votados levam vantagem na divisão de fundo

 Deputados federais não representam apenas capital político para os partidos, eles também garantem aporte de dinheiro para as legendas. Com grandes bancadas e votações expressivas, as siglas acabam recebendo mais dinheiro na distribuição do fundo partidário. Levantamento feito pelo jornal O Globo, com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) revela que os dez deputados federais mais votados em 2010 renderam R$ 111 milhões no último mandato, entre 2011 e 2014. O montante equivale a 8,4% do R$ 1,32 bilhão repartido entre todas as siglas registradas no TSE no período.

O repasse do fundo é formado por recursos públicos e particulares. Do total, 5% é distribuído igualmente entre as siglas e 95% de forma proporcional à votação dos deputados federais na última eleição. Tiririca, que tem mais votos entre eles, conseguiu sozinho R$ 29,9 milhões para o PR na divisão do fundo. Garotinho, o segundo lugar, foi responsável por R$ 15,3 milhões do dinheiro destinado ao PR. Entre os dez mais votados em 2010, apenas quatro tentarão se reeleger, uma média bem abaixo da registrada entre os 513 deputados da Câmara, onde 398, 77% do total, disputarão novo mandato. Os dados são do Diap.

• Candidatos reeditam promessas de 2010

Para o professor de Ciência Política da Pucrj, Ricardo Ismael, abocanhar uma fatia grande do fundo e acumular tempo de propaganda eleitoral na TV ajudam a explicar a existência de candidatos famosos, originalmente não ligados à política, mas que despertam o interesse do eleitor. “O sistema eleitoral proporcional para deputado federal e estadual depende da quantidade de votos. Em cada eleição, você vai ter partidos que vão se valer de pessoas com potencial de voto. São celebridades ou lideranças comunitárias, com mais chances mesmo para entrar, e são mais votados.”

Ismael explica ainda que o fundo normalmente é usado para atividades que fazem parte da rotina administrativa dos partidos. As campanhas são financiadas, principalmente por doações. Professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Alexandre Gouveia acredita que, nas eleições, o fundo beneficia os candidatos que começam na vida política e são pouco conhecidos, atraindo, assim, poucas doações.

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Fonte: Correio do Povo






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