Porto Alegre, quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

  • 01/08/2014
  • 23:23
  • Atualização: 23:46

Virologistas tentam acelerar testes para vacina do Ebola até 2015

Demanda específica é de pouco interesse da indústria farmacêutica

Virologistas tentam acelerar testes para vacina do Ebola até 2015 | Foto: Zoom Dosso / AFP / CP

Virologistas tentam acelerar testes para vacina do Ebola até 2015 | Foto: Zoom Dosso / AFP / CP

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  • AFP

Virologistas americanos esperam poder testar, em breve, uma vacina experimental contra o Ebola, que, se for bem sucedida, deverá imunizar os trabalhadores de saúde até 2015. A ideia é reforçar as defesas daqueles que estão na linha de fogo enquanto a África sofre a maior epidemia da doença.

As primeiras tentativas de desenvolver uma vacina contra a febre hemorrágica começaram pouco depois da descoberta da doença, em 1976, mas a falta de recursos de parte da indústria farmacêutica estancou estes esforços. No entanto, no próximo mês, os Institutos Nacionais da Saúde dos Estados Unidos começarão a fazer testes de fase 1 em humanos de uma vacina promissora nas experiências em macacos.

"Estamos começando a discutir alguns acordos com empresas farmacêuticas para acelerar as pesquisas", disse Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas. "Ela poderá estar disponível em 2015 para os trabalhadores de saúde que estão expostos a grandes riscos", acrescentou.

A epidemia no oeste da África está sobrecarregando o sistema de saúde da região e superando os esforços de contenção. O vírus provoca dores, febre, vômitos, diarreia e hemorragias. Desde março, matou 60% dos infectados, num total de 729 pessoas, segundo o último balanço da Organização Mundial da Saúde.

"Com surtos esporádicos, que afetam normalmente um pequeno número de pessoas na África Central, não existe realmente um mercado comercial" para uma vacina contra o Ebola, escreveram Andrea Marzi e Heinz Feldmann, do instituto de virologia NIAID, em artigo científico publicado em abril. No entanto, "há várias plataformas de vacinas prontas para testes clínicos".

Algumas destas vacinas já demonstraram ter de 80% a 90% de eficácia em testes feitos com macacos, e nenhuma teve efeitos colaterais que ameaçassem a vida dos primatas, explicou o professor da Universidade de Cambridge, Peter Walsh.

Mas o processo foi comprometido, já que os reguladores dizem não ser ético inocular em humanos hoje afetados na África vacinas que ainda não passaram por todas as fases de experimentação. "Este argumento - de que não é ético usar vacinas sem licença - é simplesmente estapafúrdio", disse Walsh à AFP, acrescentando que o NIAID está há uma década trabalhando nesta vacina. "O ético é tratá-los, vaciná-los (os mais de 1.300 infectados na África). É o que seria lógico. O escandaloso é que não o façamos", disse.


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TAGS » Saúde, Geral, Ebola