Porto Alegre, sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

  • 05/08/2014
  • 20:38
  • Atualização: 20:39

Serra Leoa envia soldados para locais que recebem doentes com ebola

Atitude é uma precaução para que familiares e amigos não retirem os doentes dos hospitais

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  • Agência Brasil

O gabinete do governo de Serra Leoa, na África, divulgou nesta terça-feira que destacou centenas de soldados para as clínicas que estão recebendo doentes com ebola, para garantir o isolamento dos locais.

Um conselheiro do presidente disse que os soldados “impedirão familiares e amigos de doentes diagnosticados, ou suspeitos de infecção com o vírus ebola, de os levarem à força dos hospitais, sem autorização médica”.

O ebola, mortífero vírus tropical que causa febre elevada e hemorragias, já fez quase 900 mortos em quatro países da África Ocidental neste ano. A Serra Leoa tem 646 casos diagnosticados, o número mais elevado registrado em qualquer dos países, e 273 mortes.

Mas a luta contra a propagação da doença tem sido dificultada pelos familiares que levam, dos hospitais para casa, doentes altamente contagiosos, para que morram nas suas aldeias, onde muitas pessoas podem ter contacto com eles. “Quando os doentes são levados à força, surge o problema da transmissão da doença aos outros, e isso dificulta o contato e a localização”, disse um médico.

O governo de Serra Leoa não forneceu números exatos dos militares mobilizados, ou dos locais para os quais foram enviados, mas a maioria das clínicas de tratamento de ebola do país estão em Kailahun e Kenema, os distritos orientais mais atingidos pela epidemia.

O presidente do país, Ernest Bai Koroma, visitou nesta terça-feira várias unidades de Saúde que estão sendo preparadas para combater o ebola na capital, Freetown. Um centro de tratamento, com 20 camas, em construção nos subúrbios a oeste de Lakka será o primeiro na cidade de 1,2 milhão de habitantes, que comunicou o seu primeiro caso de ebola há nove dias.

Koroma instou os construtores da clínica, que incluirá um laboratório para análise de amostras, a “acelerarem o fim das obras, cujo prazo foi há muito ultrapassado”. O chefe de Estado serra-leonês também visitou um hospital a leste de Freetown, mas foi-lhe negada a entrada, por terem sido recentemente admitidos três casos de ebola.

A vida voltou à normalidade na capital, depois de um “dia em casa”, decretado para as autoridades se organizarem para combater o surto de ebola. Muitos estabelecimentos comerciais começaram a controlar, na entrada, a temperatura dos clientes, enquanto outros fornecem água com cloro e sabão aos clientes para lavar as mãos. “Nada de apertos de mão, por favor”, lia-se em um cartaz pendurado na parede de um banco, no distrito central de negócios.

As autoridades de Saúde viram-se obrigadas a emitir avisos sobre o perigo do uso excessivo de cloro, depois do registro de casos de pessoas que tinham ingerido e se lavado com o produto. “É prejudicial à saúde dos usuários e pode causar ferimentos internos graves”, disse o porta-voz do Ministério da Saúde, Yahya Tunis, em uma declaração pública transmitida pela televisão e pelo rádio.

“As pessoas devem voltar às práticas habituais de higiene e lavar as mãos com sabão”, acrescentou.

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