Porto Alegre, sábado, 1 de Novembro de 2014

  • 06/08/2014
  • 15:40
  • Atualização: 15:52

Declaração de vereador sobre racismos causa polêmica em Rio Grande

Wilson Duarte da Silva disse que crime não existe porque "pretos estão casando com brancas"

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  • Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

As afirmações de um vereador de Rio Grande, durante o debate sobre um projeto de lei que trata de cotas raciais para o serviço público municipal, seguem gerando polêmica e repercutindo nas redes sociais. Ao subir na tribuna, o Wilson Duarte da Silva, do PMDB, chamado de Kanelão, defendeu que as cotas são discriminatórias, pois atualmente “os negros já estão quase todos brancos, é uma mistura”. Como exemplo, o vereador perguntou ao público: “Ou tu não vê um neguinho com uma branca, uma polaca?”.

Questionado sobre as afirmações, o vereador voltou a defender que não existe mais o racismo no País, pois negros e brancos podem se relacionar livremente. Segundo ele, também não existe diferença salarial entre essas duas faixas da população.

“Hoje não há mais racismo, somos todos iguais perante a Deus e à Constituição. Hoje os brancos estão casando com as pretas e as pretas cansando com os brancos”, afirmou o peemedebista. Ele sustenta ainda ser o único vereador da cidade com assessores negros.

Segundo dados do IBGE de 2013, a renda de afrodescendentes, incluindo também os mulatos, é 42,6% menor que a dos brancos. Também o desemprego no período foi maior entre negros (6,4%) que entre brancos (4,5%).

O presidente do Movimento Negro do PMDB gaúcho, vereador de Uruguaiana Dudu do Samba, discordou das afirmações e prometeu reunir a executiva do movimento para que o colega de partido se explique.

O promotor Mauro Souza, coordenador do Centro de Apoio aos Direitos Humanos, também disse discordar que não exista racismo no Brasil. Ele usa como exemplo o fato de que a porcentagem de negros que obtém acesso aos cargos públicos é desproporcional à de negros no total da população. Atualmente, há três inquéritos de racismo abertos na Promotoria de Direitos Humanos e dois na Promotoria do Torcedor, somente em Porto Alegre.

O projeto de lei, que acabou aprovado, garante a destinação de 20% das vagas no serviço público municipal para negros. Em âmbito federal, uma lei semelhante foi aprovada em junho deste ano, obrigando a destinação de 20% das vagas em concursos públicos federais para candidatos que se declararem negros ou pardos. A lei vale por dez anos e somente para concursos com três ou mais candidatos.

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