Porto Alegre, quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

  • 06/08/2014
  • 20:36
  • Atualização: 20:46

Concluído inquérito de tortura a portadora de deficiência mental

Mulher, hoje com 35 anos, sofria agressões diárias por casal e criança

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  • Hygino Vasconcellos / Correio do Povo

A Delegacia de Polícia de Arroio do Tigre, na região carbonífera, concluiu nesta quarta-feira investigação que apura o crime de tortura a uma portadora de deficiência mental de 35 anos. Conforme a delegada Graciela Foresti Chagas, as agressões foram cometidas há cerca de três anos por um homem de 40 anos e uma mulher de 45 anos e ainda pela filha do casal de 13 anos. A polícia recebeu denúncias de vizinhos e de membros da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) na qual ela frequentava.

Durante as investigações, se constatou que a vítima era espancada diariamente e submetida a trabalho domésticos forçados. Alguns depoimentos obtidos indicam que a mãe e filha se “revezavam quando cansavam espancando a vítima” enquanto esta executava tarefas de limpeza da casa e “apanhava quieta, sem esboçar reação”.

A delegada explica que na Apae a jovem era questionada pelos funcionários das lesões e manchas na pele, que foram comprovadas por perícia se tratar de agressão física. A delegada Graciela explica que em depoimento a vítima repetiu inúmeras vezes a frase: ”doi muito, doi muito”. “Ela tinha noção do que estava ocorrendo, mas tinha que apanhar calada.” Durante as investigações, se comprovou ainda que a jovem era privada de alimentação - a ponto de pedir comida na Apae para levar para casa - e não recebia roupas adequadas. “Aqui temos um inverno bem rigoroso e algumas vezes ela ia para a Apae de minissaia e chinelos”, cita Graciela.

A delegada afirma que o intenso sofrimento físico e mental, durante anos, como forma de castigo pessoal, caracteriza o crime de tortura, pelo qual o casal e a filha foram responsabilizados. Além disso, o homem e a mulher devem responder por apropriação do benefício previdenciário e corrupção de menores, por incentivar a filha a cometer a violência contra a jovem. O casal e a filha respondem em liberdade.

Não se descarta que os atos de violência tenham acontecido por mais tempo, já que a jovem estava há 11 anos com o casal, que detinha sua curatela - quando é instituído por um juiz um curador para cuidar dos interesses e administrar os bens de outra pessoa.

O casal era primo da jovem. Antes, ela era cuidada por sua mãe, que morreu, e em seguida, por um irmão, que acabou falecendo também. Após as denúncias, a curatela foi repassada para uma irmã da vítima, que não teve a residência revelada pela Polícia Civil.

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