Porto Alegre, sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

  • 07/08/2014
  • 13:26
  • Atualização: 13:44

Anistia Internacional acusa Israel de atacar hospitais e médicos em Gaza

Dos 1,8 mil palestinos mortos cerca de 86% eram civis, afirma ONU

Nota da organização afirma que os relatos de médicos, enfermeiros e paramédicos compõem um

Nota da organização afirma que os relatos de médicos, enfermeiros e paramédicos compõem um "quadro preocupante" | Foto: Ahmad Gharabli / AFP / CP

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  • Agência Brasil

A Anistia Internacional informou nesta quinta-feira que há cada vez mais profissionais de saúde e trabalhadores humanitários sendo alvo de ataques deliberados do Exército israelense na Faixa de Gaza. A nota divulgada no site da organização humanitária afirma que os relatos de médicos, enfermeiros e paramédicos compõem um "quadro preocupante".

Anistia Internacional atribui ao Ministério da Saúde palestino a informação de que, desde o dia 8 de julho, quando Israel lançou a operação ofensiva contra a Faixa de Gaza, ao menos seis profissionais que trabalhavam em ambulâncias e outros 13 voluntários foram mortos enquanto resgatavam mortos e feridos. O número de profissionais de saúde feridos chega a 49 e o de trabalhadores humanitários, chega a 33.

A organização também informa que, segundo o escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, dos cerca de 1,8 mil palestinos mortos 86% eram civis. O escritório da ONU estima ainda que cerca de 9,4 mil pessoas ficaram feridas, muitas gravemente, e que em torno de 485 mil pessoas foram deslocadas pelo conflito.

Muitos dos desalojados buscam refúgio em hospitais e escolas. Entre os depoimentos colhidos pela Anistia Internacional, há relatos de que soldados israelenses têm atirado contra ambulâncias identificadas e contra profissionais de saúde vestindo coletes fluorescentes no exercício das suas funções. A Anistia Internacional identifica ao menos cinco hospitais e 34 clínicas hospitalares que foram forçadas a interromper as atividades devido aos danos causados pelo ataque israelense ou pela hostilidade.

Além disso, hospitais de toda a Faixa de Gaza sofrem com a escassez de combustível e a falta de água, medicamentos e energia elétrica - agravada depois que a única central elétrica da Faixa de Gaza parou de funcionar após um bombardeio do Exército israelense. 

"A Anistia Internacional tem apelado repetidamente a Israel que cesse imediatamente o bloqueio à Faixa de Gaza, que está punindo coletivamente toda a população de Gaza, em violação das obrigações de Israel sob a Lei Internacional Humanitária e de Direitos Humanos", declara a organização na nota, antes de lembrar tratados internacionais que obrigam os países signatários a respeitar e proteger os feridos, permitindo a movimentação de pessoal médico e a remoção de mortos e feridos das áreas sitiadas.

"A obstrução deliberada de pessoal médico para evitar que feridos recebam atenção médica pode constituir uma grave violação da Quarta Convenção de Genebra (sobre a Proteção das Pessoas Civis em Tempo de Guerra, de agosto 1949) e um crime de guerra", conclui a nota.

Desde o início dos confrontos, Israel alega que os militantes palestinos da Hamas adotam, como estratégia militar, a prática de se esconder e armazenar armamentos em escolas e hospitais, além de usar crianças e mulheres como "escudos humanos". Segundo autoridades israelenses, isso explicaria, em parte, o número de civis mortos. 

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