Porto Alegre, sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

  • 09/08/2014
  • 15:08
  • Atualização: 15:21

Números revelam que doadores de campanha estão retraídos no RS

Prestação parcial de contas à Justiça Eleitoral indica queda na arrecadação

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  • Flávia Bemfica / Correio do Povo

Os partidos estimaram os maiores custos de campanha da história para a corrida eleitoral de 2014, mas, no Rio Grande do Sul, por enquanto, os doadores estão retraídos. A constatação, que já era motivo de discussões nos comitês, ficou evidente com a divulgação da primeira parcial da prestação de contas dos candidatos, que pode ser acessada no site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Na disputa pelo Piratini, a soma arrecadada por todos os postulantes ao cargo é de R$ 897 mil.

O montante é inferior, por exemplo, ao que, sozinho, o governador Tarso Genro (PT) arrecadou no início da campanha de 2010 para o Piratini: R$ 1,3 milhão. Na primeira parcial daquela eleição, os então candidatos Yeda Crusius (PSDB) e José Fogaça (PMDB) tiveram receitas de R$ 552 mil e R$ 300 mil, respectivamente. E Ana Amélia Lemos, que disputava sua primeira eleição, para o Senado, teve arrecadação inicial de R$ 491 mil. Neste pleito de 2014, Ana Amélia, que agora disputa o governo, obteve até o momento R$ 108 mil em doações.

São dois os principais motivos apontados pelas coordenações de campanha para as arrecadações abaixo do estimado. O primeiro é o atraso no início da campanha em função da Copa do Mundo. O segundo é a cautela dos empresários, que vêm se mostrando mais comedidos com as contribuições financeiras neste ano tanto porque elas se tornaram totalmente públicas quanto pela força do movimento pelo fim das doações de pessoas jurídicas para as campanhas.

“Há uma intensificação dos controles e maior exposição. Além disso, neste início de agosto é que a campanha aumentou”, admite Carlos Pestana, coordenador da candidatura de Tarso. “Existe uma retração natural, devido a uma expectativa sobre o fim das doações das empresas. E o eleitor ainda não está conectado na eleição”, completa Celso Bernardi, coordenador da campanha de Ana Amélia. Por enquanto, as coordenações não trabalham abertamente com a hipótese de rever os custos totais estimados. “Temos a expectativa de que, com o desenrolar da campanha, consigamos captar o estimado”, resume Enilton Santos, coordenador-geral da candidatura do deputado Vieira da Cunha (PDT) ao governo.

Empresários buscam informações

Além do atraso no início da corrida eleitoral e do movimento pelo fim das doações de empresas, integrantes das coordenações de campanha lembram que a obtenção dos valores não é algo imediato. O empresariado, responsável por quase todas as doações, solicita informações sobre o cenário político e as propostas dos candidatos, e tem expectativa sobre como serão tratados seus interesses, o que nem sempre fica claro no começo das disputas. Os empresários também acompanham a divulgação das pesquisas eleitorais e o início da propaganda no rádio e na TV para fazer suas apostas. “É uma questão pragmática”, define o coordenador da campanha de Ana Amélia Lemos (PP) ao governo, Celso Bernardi.

Há um ponto, porém, sobre o qual não há concordância entre as coordenações de campanha. Integrantes de PP, PDT e PMDB, com candidaturas que, no RS, se apresentam como de oposição ao governo Dilma Rousseff, atribuem as baixas receitas também à retração da economia. “Há uma crise de produção e de consumo, que gera muitas dúvidas e insegurança”, avalia Bernardi. Os petistas, que disputam a reeleição para a Presidência e o governo gaúcho, consideram o argumento como parte do discurso para desqualificar Dilma. “O país já esteve em situações econômicas muito piores e nem por isso os empresários deixaram de fazer suas contribuições”, rebate Carlos Pestana, da campanha de Tarso Genro à reeleição.


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