Porto Alegre, sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

  • 13/08/2014
  • 20:35
  • Atualização: 20:49

África se mobiliza para conter pânico com o ebola

Tratamentos experimentais foram liberados, mas chegaram a poucas dezenas de pessoas

  • Comentários
  • AFP

Os países do oeste da África que apresentam casos de ebola se mobilizam para conter o pânico da população ante uma epidemia que já causou mais de mil mortes na região. A autorização de tratamentos experimentais na terça-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS) suscitou uma pequena esperança, mas apenas poucas pessoas serão beneficiadas entre as centenas de casos registrados.

"Devemos evitar o pânico e o medo, é possível evitar o ebola", afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que na terça-feira havia anunciado a nomeação de um coordenador das Nações Unidas para a doença, o epidemiologista britânico David Nabarro. "Nos próximos dias, a ONU vai reforçar as ações para conter o ebola", prometeu Ban, que citou o envio de médicos e de material de proteção aos países afetados.

A Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (CEDAEO) anunciou a morte de um de seus funcionários na cidade de Lagos, capital financeira da Nigéria, o que eleva a três o número de óbitos no país, o mais populoso do continente africano.

A Libéria informou que o soro experimental americano ZMapp será administrado apenas a dois médicos liberianos: os doutores Zukunis Ireland e Abraham Borbo. O soro havia apresentado resultados positivos em dois americanos, mas não conseguiu salvar um padre espanhol que faleceu na terça-feira depois de ter sido repatriado a Madri.

"A Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos autoriza o fabricante a enviar o remédio ao Ministério da Saúde apenas para que seja utilizado nos dois médicos. O medicamento chegará ao país nas próximas 48 horas", afirma a presidência da Libéria em um comunicado.

Na vizinha Serra Leoa, um segundo médico que participava na luta contra a epidemia de ebola morreu após contrair o vírus mortal. O médico Modupeh Cole, que trabalhava no hospital Connaught de Freetown, foi levado em 9 de agosto para o centro de tratamento especializado em Ebola de Kailahun (leste), que anunciou a sua morte.

O Ministério da Saúde desse país informou que tinha escrito uma carta ao grupo americano que produz o soro para obter o medicamento. "A OMS aprovou nosso pedido para que o medicamento ZMapp esteja disponível tanto em Serra Leoa como na Libéria", declarou Sidi Yahya Tunis, porta-voz do ministério, que espera uma resposta nos próximos dias.

O Canadá anunciou que entregará à OMS entre 800 e mil doses de uma vacina experimental contra o vírus para tentar controlar a epidemia sofrida pela África Ocidental. A vacina (VSV-EBOV), desenvolvida pelo laboratório de microbiologia da Agência de Saúde Pública em Winnipeg (Manitoba, centro), ainda não foi testada em humanos, mas "se revelou promissora na pesquisa em animais", segundo a ministra da Saúde, Rona Ambrose, em um comunicado.

Bookmark and Share