Porto Alegre, sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

  • 13/08/2014
  • 22:31
  • Atualização: 22:39

Política brasileira é marcada por tragédias aéreas

Castelo Branco e Ulysses Guimarães foram alguns ícones da cena política que perderam a vida em acidentes

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Acostumado a cruzar o País em voos dos mais diversos tipos e distâncias para fazer campanhas e articulações nas suas quatro décadas de carreira política, o deputado peemedebista Ulysses Guimarães não temia mais um deslocamento de helicóptero depois de passar o feriado prolongado de 12 de outubro de 1992 na casa de amigos em Angra dos Reis, no litoral fluminense. Sua mulher, Mora, e o casal de amigos que os acompanhava, o ex-senador Severo Gomes e a esposa Henriqueta, no entanto, temiam a viagem para São Paulo por causa do mau tempo que haviam enfrentado na sexta-feira, quando o habitual trajeto de 50 minutos entre Guarulhos e Angra dos Reis demorou três horas para ser realizado. "Somos mesmos uns bravos", desabafou Mora a amigos ao desembarcar em Angra.

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Para tranquilizá-los, na segunda-feira Ulysses Guimarães antecipou em uma hora a saída do voo que estava programado para as 16 horas. Assim, estaria garantida uma viagem à luz do dia, mesmo que algum eventual imprevisto estendesse a viagem por mais tempo que o previsto. O helicóptero Esquilo prefixo PT-HMK pilotado por Jorge Cameratto chegou ao Hotel Portogallo às 15h10min e os dois casais embarcaram dez minutos depois. O piloto justificou o atraso afirmando que continuava chovendo em São Paulo. A mulher de Ulysses mais uma vez manifestou seu temor perguntando se havia riscos de realizar a viagem, mas foi tranquilizada pelo piloto.

Antes de seguir para São Paulo, o helicóptero pousou às 15h30min no Aeroporto de Angra dos Reis para reabastecer. Nos poucos minutos que ali permaneceu, o parlamentar aproveitou para assuntar de política com o administrador da pista, Alceu Braga Lopes. Após perguntar como haviam sido as eleições municipais em Angra e ser informado que o seu PMDB havia eleito apenas um vereador e ficado atrás do PDT e do PT, Ulysses encerrou a conversa com uma frase que o administrador anotaria no papel onde registrou o consumo de 158 litros de combustível consumido pelo helicóptero: "Ainda bem que estamos vivendo política".

E política era o que Ulysses estava vivendo, apesar dos dias de descanso. Na manhã antes do voo, o deputado havia conversado por telefone com o presidente em exercício Itamar Franco, que há pouco assumira o lugar de Fernando Collor de Mello, afastado em meio ao processo de impeachment. Nas conversas que teve com amigos em Angra, Ulysses defendia que seu partido participasse do governo Itamar e o parlamentarismo como sistema para
governar o País.

As pretensões políticas, porém, foram encerradas logo depois, quando o helicóptero desapareceu em algum ponto do litoral, na divisa entre Rio de Janeiro e São Paulo, quando o piloto tentava mudar o percurso para escapar do mau tempo. As esperanças de encontrar a aeronave com sobreviventes durou pouco, já que na manhã do dia seguinte, foi localizado o corpo do piloto e pedaços do helicóptero. Depois de complicadas buscas, os corpos de Mora, Henriqueta e Severo seriam achados. As buscas se estenderam por semanas, mas o corpo do político que foi um dos símbolos da redemocratização do País jamais seria encontrado.

Castelo Branco. Em 18 de julho de 1967, dois meses após deixar a presidência do primeiro governo da ditadura militar, o marechal Humberto Castelo Branco morreu após o bimotor em que viajava se chocar com um jato de treinamento da Força Aérea Brasileira (FAB), no Ceará. Ninguém a bordo da aeronave sobreviveu.

Também década de 60, o então governador do Rio de Janeiro, Roberto Silveira morreu após a queda de um helicóptero, em Petrópolis, junto com o piloto, copiloto e o jornalista Luís Paulistano. Silveira foi levado com vida ao hospital, mas não sobreviveu aos ferimentos. Morreu em 28 de fevereiro de 1961. Em 2003, um monomotor em que estava o deputado federal e presidente nacional do PTB, José Carlos Martinez desapareceu entre o Paraná e Santa Catarina por causa de um nevoeiro. O corpo de Martinez, cujo nome seria ligado ao escândalo do Mensalão em 2005, e das outras vítimas, foi resgatado quatro dias depois do acidente.

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