Porto Alegre, domingo, 21 de Dezembro de 2014

  • 14/08/2014
  • 20:03
  • Atualização: 20:17

Em carta aberta, irmão de Eduardo Campos defende que Marina seja candidata

Durante a tarde, familiares e amigos do ex-governador participaram de missa privada

Em carta aberta, irmão de Eduardo Campos defende que Marina seja candidata | Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil / CP

Em carta aberta, irmão de Eduardo Campos defende que Marina seja candidata | Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil / CP

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  • Gabriel Jacobsen/Rádio Guaíba

Único irmão de Eduardo Campos, o advogado e escritor Antônio Campos divulgou nesta quinta-feira uma carta aberta defendendo a candidatura de Marina Silva à presidência da República. No comunicado, Antônio Campos ainda destacou a trajetória política do irmão e do avô, Miguel Arraes, que também governou o Estado de Pernambuco. Na carta, o irmão de Eduardo Campos também explica os motivos para que o corpo do político seja enterrado ao lado do de Arraes, no Cemitério de Santo Amaro, no Recife.

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Durante a tarde desta quinta, a reportagem da Rádio Guaíba ouviu, na capital pernambucana, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio Monteiro Filho, colega na Corte da também ministra Ana Arraes, mãe de Campos. Monteiro Filho, que visitou a casa da família, era amigo próximo de Eduardo Campos e revelou ter passado a ser interlocutor entre ele e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde que ambos se desentenderam.

Por volta das 16h30min, uma missa privada também foi realizada na casa de Eduardo Campos, restrita a familiares e amigos próximos, como o deputado federal gaúcho José Luiz Stédile. Aproximadamente 50 pessoas estiveram na cerimônia.

Já o clube Náutico Capibaribe, de Recife, do qual Campos era torcedor, cogita uma homenagem ao ex-governador, estampando o nome e a foto dele na camiseta a ser usada pelos jogadores na próxima partida da agremiação.

Veja na íntegra a carta aberta de Antônio Campos:

NÃO VAMOS DESISTIR DO BRASIL

A minha perda afetiva do único irmão é imensa, mas é grande a perda do líder Eduardo Campos, político de talento e firmeza de propósitos.

A nossa família tem mais de 60 anos de lutas políticas em defesa das causas populares e democráticas do Brasil. O meu avô Miguel Arraes foi preso e exilado, não se curvando à ditadura militar. Eduardo Campos continuou o seu legado com firmeza de propósitos, tendo trazido uma nova era de desenvolvimento para Pernambuco. Desde 2013 vinha fazendo o debate dos problemas e do momento de crise por que passa o Brasil, querendo fazer uma discussão elevada sobre nosso país. Faleceu em plena campanha presidencial, lutando pelos seus ideais e pelo que acreditava.

O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e de correr o risco para viver os seus sonhos pessoais e coletivos. Ambos faleceram, no dia 13 de agosto, e serão plantados no mesmo túmulo, no Cemitério de Santo Amaro, em Recife, túmulo simples, onde consta uma lápide com a frase do poeta Carlos Drummond: “ tenho duas mãos e o sentimento do mundo”. Essas sementes de esperança e de resistência devem inspirar uma reflexão sobre o Brasil, nesse momento, para mudar e melhorar esse país, que enfrenta uma grave crise, sendo a principal dela a crise de valores. Não vamos cultivar as cinzas desses dois grandes líderes, mas a chama imortal dos ideais que os motivava.

Como filiado ao PSB, membro do Diretório Nacional com direito a voto, neto mais velho vivo de Miguel Arraes, presidente do Instituto Miguel Arraes – IMA e único irmão de Eduardo, que sempre o acompanhou em sua trajetória, externo a minha posição pessoal que Marina Silva deve encabeçar a chapa presidencial da coligação Unidos Pelo Brasil liderada pelo PSB, devendo a coligação, após debate democrático, escolher o seu nome e um vice que una a coligação e some ao debate que o Brasil precisa fazer nesse difícil momento, em busca de dias melhores. Tenho convicção que essa seria a vontade de Eduardo.

Agradeço, em nome da minha família enlutada, as mensagens do povo brasileiro e de outras nacionalidades.


* Repórter Gabriel Jacobsen é enviado especial a Recife

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