Porto Alegre, sábado, 25 de Outubro de 2014

  • 15/08/2014
  • 07:53
  • Atualização: 08:34

Parte do PMDB teme por indicação de Marina Silva

Peemedebistas gaúchos afirmaram que não votarão em quem é contra agronegócio

Parte do PMDB teme por indicação de Marina Silva | Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil / CP Memória

Parte do PMDB teme por indicação de Marina Silva | Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil / CP Memória

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  • Flavia Bemfica / Correio do Povo

Apesar da consternação pela morte de Eduardo Campos, o PMDB gaúcho começa a avaliar os desdobramentos da tragédia. Lideranças peemedebistas de diferentes esferas admitem que a situação é muito delicada, porque consideram que a substituição de Campos (independente de quem seja o substituto) terá consequências diretas sobre a aliança com o PSB no Estado. A principal delas: a dificuldade em manter, na prática, o apoio à chapa presidencial socialista, que já vinha sofrendo a concorrência aberta dos peemedebistas gaúchos partidários de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). O nome de Marina Silva, portanto, não é um consenso.

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Parte do partido, representada por lideranças como o senador Pedro Simon e o vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, que coordena a campanha de José Ivo Sartori ao governo, aponta que a vice na chapa, Marina Silva, é o nome com melhores condições para a disputa. “Se o PSB tiver categoria e fizer um trabalho bem feito, a figura da Marina, aliada a toda a mística, vai resultar em uma campanha fantástica”, afirma Simon.

Questionado sobre as resistências do PMDB gaúcho ao nome da ex-senadora, lembra que, em sua primeira eleição, o ex-presidente Lula era alvo de desconfiança de parte da sociedade e lançou uma “Carta ao povo brasileiro” que aliviou a tensão. “Não me passa pela cabeça que os produtores de fumo ou os pequenos produtores vão se deixar levar por pequenas divergências”, diz o senador Simon.

Sem apoio na bancada federal

Mas não há consenso sobre o alinhamento automático. “Marina não tem apoio na bancada federal. Alceu Moreira, Darcísio Perondi e Osmar Terra pedirão votos para Aécio. Eliseu Padilha vai intensificar o movimento pró-Dilma/Temer”, garante um dos federais, listando sua própria preferência. “Devemos ter cuidado porque o grau de sentimentalismo do brasileiro mais a situação de comoção pode levar à escolha de uma proposta que não tem nada a ver com o futuro”, afirma Alceu Moreira.

Moreira admite que o apoio a Campos estava muito vinculado ao perfil do candidato, concorda que o PSB terá dificuldade em encontrar substituto e faz avaliação pouco positiva de Marina. “Ela tem um pensamento político muito diferente do que queremos e sem a modernidade e a leveza que esperamos. Então, dependendo da proposta do PSB, eu, Perondi e Terra ficaremos bem mais próximos do Aécio.”

“É simples. Não tenho como votar contra produtor de leite, de frango, de suíno. Existe uma tendência forte de, dependendo da decisão do PSB, haver migração forte para o voto em Dilma e, em menor escala, para Aécio. A decisão, contudo, será do diretório. Chamaremos uma reunião para a próxima semana”, adianta o presidente estadual do PMDB, deputado Edson Brum.

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