Porto Alegre, domingo, 21 de Dezembro de 2014

  • 15/08/2014
  • 19:02
  • Atualização: 19:13

Imóveis interditados após queda de avião serão liberados somente com reforma

Área segue isolada para o trabalho dos peritos da Aeronáutica e da Polícia Federal

Área segue interditada para a perícia da Aeronáutica e da Polícia Federal | Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil / CP

Área segue interditada para a perícia da Aeronáutica e da Polícia Federal | Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil / CP

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  • Agência Brasil

A Defesa Civil de Santos informou nesta sexta-feira que o prédio de quatro apartamentos e o estabelecimento comercial interditados em consequência do acidente do avião que matou o candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, e mais seis pessoas, na última quarta-feira, só deverão ser liberados após reformas atestadas por um engenheiro civil.

Entre os imóveis interditados, está o de uma academia de ginástica onde três pessoas ficaram levemente feridas, sendo uma professora de natação, com um corte na cabeça; um bebê e sua mãe. O dono do empreendimento, Benedito Juarez Câmara, informou que se dedica a esse ramo há 30 anos, e que ainda não sabe como vai continuar o negócio.

O empresário contou que, no momento do acidente, estavam na academia apenas 45 dos cerca de mil alunos matriculados, e que, “se não fosse a chuva e o frio, poderia ter muito mais gente correndo riscos”. Sem seguro e ainda buscando informação sobre a quem recorrer para ressarcir os prejuízos, o empresário afirmou que terá de buscar outro local para não interromper o seu ganha-pão e dos 16 empregados. Ele, no entanto, ainda não sabe precisar o tamanho do prejuízo.

No imóvel de dois andares da academia, há três piscinas, que ficaram cheias de cacos de vidro, e uma sala de musculação, onde pedaços de concreto cobriram os aparelhos. Alguns, segundo Juarez, talvez só tenham que ser limpos para serem usados novamente. Tudo ainda terá de passar, conforme relatou, por uma avaliação mais minuciosa.

Já a moradora de um dos apartamentos atingidos, Marlene Rodrigues Martinez, disse que se sente “uma sobrevivente”. Ao ouvir o forte estrondo, ela saiu pela porta da cozinha, no térreo, e ficou paralisada em meio a uma chuva de estilhaços.

“Eu estava a quatro metros de onde o avião caiu e, logo em seguida, vi uma bola de fogo subindo, mas não tive um ferimento sequer”, contou a moradora, que vive no local há 17 anos. Além dela, moram na casa, duas irmãs e um cachorro. “Felizmente, eu tenho para onde ir, uma casa de parentes que estava vazia, e vou poder ficar lá o tempo que for necessário”.

A aposentada informou ainda que o condomínio tem seguro e que os moradores iriam se reunir para discutir como acionar os seus direitos e obter a cobertura para os reparos. Os danos em seu imóvel foram mais pelo alagamento do que pelo impacto. Para debelar as chamas do apartamento, que fica um andar acima, os bombeiros usaram muita água que vazou para seu imóvel.

Por enquanto, a área de todo o quadrilátero onde ocorreu a tragédia está isolada para os trabalhos dos peritos da Aeronáutica e da Polícia Federal (PF). A PF escaneou a região usando drones - veículos aéreos não tripulados equipados com câmera - para reconstituir a trajetória da aeronave e tentar esclarecer as causas do acidente.

Segundo o tenente-coronel da Polícia Militar, Marcelo de Oliveira Cardoso, comandante do 6º Batalhão de Santos, os trabalhos no local não têm prazo para serem concluídos.

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