Porto Alegre, quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

  • 16/08/2014
  • 11:09
  • Atualização: 11:13

EUA registra saques pós acusações de roubo contra negro morto pela polícia

Suspeita provocou protestos e tumultos de teor racial em Ferguson

Suspeita provocou protestos e tumultos de teor racial em Ferguson | Foto: Scott Olson / AFP / CP

Suspeita provocou protestos e tumultos de teor racial em Ferguson | Foto: Scott Olson / AFP / CP

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  • AFP

Várias pessoas saquearam lojas durante a madrugada deste sábado em Ferguson, nos Estados Unidos, horas depois de a polícia acusar o jovem negro morto por um policial de ser suspeito de roubo. Essa nova acusação voltou a provocar protestos e tumultos de teor racial na cidade, localizada no subúrbio de St. Louis, Missouri (sul), que foi palco de vários dias de violência após a morte de Michael Brown, 18 anos, morto em 9 de agosto por um policial.

As autoridades americanas identificaram o policial que atirou e matou um adolescente negro. O chefe de polícia de Ferguson, Thomas Jackson, declarou à imprensa que o nome do agente é Darren Wilson e que ele trabalha na força policial há seis anos.

Nessa sexta-feira, a cidade parecia ter voltado ao normal. No entanto, ao final de uma manifestação pacífica por volta da meia-noite, grupos saquearam várias lojas, segundo a imprensa local. Em vários locais, a polícia disparou granadas de gás lacrimogêneo e bombas de fumaça, mas, na maior parte do tempo, manteve-se à margem da confusão, em veículos blindados.

"Se receberem informações conflitantes é porque o caos reina por aqui. Em alguns lugares, não acontece nada, e em outros é uma loucura", escreveu no Twitter Joel Anderson, um jornalista do BuzzFeed. Em várias ocasiões, habitantes locais tentaram evitar os saques e se mantiveram no local para proteger as lojas, incluindo
aquela em que Brown foi acusado de querer roubar caixas de cigarros, informou a rede de notícias CNN.

Em Oakland, Califórnia, com uma importante população negra assim como Ferguson, também foram organizados protestos contra a acusação de roubo contra Brown com pichações, vidros quebrados e confrontos menores com a polícia. Em um informe entregue à imprensa na sexta-feira, a polícia de Ferguson relacionou o jovem negro a um roubo de cigarros ocorrido 20 minutos antes de sua morte, em plena luz do dia. 

A polícia também divulgou imagens das câmeras de segurança, nas quais é possível ver um homem vestido como Michael Brown, com vários pacotes em uma das mãos. Ao sair, empurra com violência um homem que parece querer impedir sua passagem, antes de voltar-se e intimidá-lo. A família de Brown se declarou "escandalizada" por estas versões da polícia destinadas, segundo ela, a "responsabilizar a vítima e desviar a atenção" para o crime. 

Versões díspares

As versões sobre a morte do adolescente negro divergem. De acordo com uma testemunha, Brown estava desarmado e caminhava pela rua quando um policial atirou nele, apesar de a vítima estar dominada, com as mãos para o alto. Já a Polícia de St. Louis, capital do Missouri, indica que Brown foi morto depois de ter agredido o policial e de ter tentado roubar sua arma.

Em função da situação, o governador do Missouri escolheu o chefe da Polícia Rodoviária Estadual, capitão Ron Johnson, de origem afro-americana, para liderar as operações em Ferguson a partir de quinta à noite. Nos Estados Unidos, a Polícia Rodoviária é de jurisdição estadual, e não federal.

Johnson é natural dessa cidade e é negro, como pelo menos 14 mil dos 20 mil habitantes locais. Já a polícia é de maioria branca. "Cresci aqui, e essa é minha comunidade e minha casa", disse o capitão. "Significa muito, para mim, romper esse ciclo de violência e reconstruir a confiança", acrescentou.

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