Porto Alegre, sábado, 25 de Outubro de 2014

  • 16/08/2014
  • 15:30

Sucatas voltam a ser peças novas no RS

Estado deu destino a 14,6 mil carcaças de veículos, de 2009 a 2014, e ajudou a reduzir o comércio clandestino

Sucatas voltam a ser peças novas no RS | Foto: Mariana Tochetto / Detran / Divulgação / CP

Sucatas voltam a ser peças novas no RS | Foto: Mariana Tochetto / Detran / Divulgação / CP

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  • Cíntia Marchi / Correio do Povo

O Brasil recicla apenas 1,5% da sua frota de veículos, segundo o Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não Ferrosa de São Paulo. O número é infinitamente menor se comparado, por exemplo, com os Estados Unidos, que reaproveita 95% dos seus veículos sucateados. A distância entre os dois percentuais indica que o tamanho da sucata no Brasil é gigantesca. O cenário levou o Rio Grande do Sul a pôr em prática um plano para dar destino adequado às velharias, projeto que tem servido de modelo aos demais estados brasileiros. Além do RS, apenas o Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo têm feito o trabalho de reciclagem.

Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RS), de 2009 até o momento, foram recicladas no Estado 14,6 mil sucatas (cerca de 7 mil toneladas). Hoje, existem outros 36,5 mil itens aptos a desocuparem espaço dos 180 Centros de Remoção e Depósito (CRDs) em atividade. O chefe da Divisão de Depósitos do Detran, Antônio Barbará, diz que o projeto vem crescendo aos poucos. “A meta é que, em 2015, consigamos dar destino a outras 10 mil sucatas”, avisa. Neste ano, foi dada prioridade ao esvaziamento de depósitos na região Metropolitana. No ano que vem, Barbará informa que a ênfase será nas regiões Sul e Litoral. “No Litoral tem o agravante da maresia. Com o tempo, o carro começa a se esfarelar e acaba poluindo o solo”, explica.

Em 2009, quando o projeto começou a ser implantado no RS, o cenário era de superlotação dos depósitos, que guardavam inclusive veículos apreendidos havia mais de 10 anos. A situação, além de provocar prejuízos ao meio ambiente como vazamento de óleos no solo e acúmulo de água parada, atingia os cofres públicos, responsável por bancar a guarda desses bens inutilizáveis. Destinando as sucatas para reciclagem, o Detran/RS afirma que tem impedido que peças sejam usadas indevidamente, reduzindo o comércio clandestino.

O projeto gaúcho já recebeu visita dos estados do Acre, Amapá, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, além do Distrito Federal e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Por meio de leilões do material ferroso, o Detran/RS destina para a indústria siderúrgica todas as sucatas de veículos retidos e abandonados nos CRDs há mais de dois anos. A parceria com as siderúrgicas ocorre por meio de leilão realizado pela Central de Licitações do Estado (Celic).

Liderança na América Latina

A compra da sucata veicular interessa muito à Gerdau, que, desde o início do projeto de reciclagem do Detran/RS, vem arrematando o material inservível. Os carros que, aparentemente, não teriam mais nenhuma utilidade acabam sendo matéria-prima para as usinas da siderúrgica. O aço, um dos principais componentes da montagem de um carro, tem a vantagem de poder ser reciclado infinita vezes, sem perder propriedades.

Segundo o diretor de Matérias Primas da Gerdau, Mário Sant’Anna Júnior, cerca de 75% do aço fabricado pela indústria é produzido a partir de sucata ferrosa. A empresa transforma 15 milhões de toneladas de sucata em aço por ano, o que a posiciona como a maior recicladora da América Latina.

Sant’Anna Júnior explica que a tecnologia permite produções em escala adequada ao consumo de cada região. Por ser um reprocessamento de aço, o processo consome menos energia, com consequente redução nas emissões de dióxido de carbono. Outro benefício é a preservação do meio ambiente, na medida em que diminui a quantidade de material depositado em aterros e locais inadequados. “Gera oportunidades de trabalho a milhares de pessoas por meio de uma cadeia de coleta, transporte e processamento de sucata.”

As usinas da Gerdau que realizam esse processo estão em Charqueadas e Sapucaia do Sul, no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas, Bahia, Pernambuco e Ceará. O aço produzido e laminado em usinas de aços especiais é utilizado como matéria-prima para peças destinadas à indústria automotiva.


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