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23/08/2014 15:24 - Atualizado em 23/08/2014 16:29

Líderes do PMDB resistem a concorrer ao Senado

Impasse sobre nome do candidato chega a situação dramática

É considerada dramática no PMDB a situação da candidatura ao Senado da chapa encabeçada por José Ivo Sartori ao governo do Estado. Oficialmente, a definição do nome ocorreria na próxima terça-feira, mas todo o comando de campanha, e também o partidário, está mobilizado para que ela ocorra neste final de semana. Na noite deste domingo haverá reunião para discutir os rumos da campanha. O objetivo é que, antes dela, o peemedebista incumbido da missão já esteja escolhido.

“Teremos que ter a capacidade de buscar uma alternativa em função do tempo político”, resumiu o coordenador de campanha de Sartori, o vice-prefeito Sebastião Melo, na tarde de sexta-feira. Antes da declaração, na sexta pela manhã, Melo fez contatos com o senador Pedro Simon, com os deputados federais Osmar Terra e Alceu Moreira e com Ibsen Pinheiro e José Fogaça.

Simon chegou a Porto Alegre na madrugada de sexta e disse que só volta a Brasília com a questão resolvida. “Não podemos mais perder tempo, temos que agir com rapidez”, avalia. Mas, sobre a possibilidade de concorrer, foi taxativo. “Não tem a menor chance.” Germano Rigotto diz que não tem sequer como discutir o tema. “Falo com todos e sobre qualquer assunto, menos Senado. Jamais me negaria a ajudar o partido, mas o momento passou, infelizmente.” Ibsen e Fogaça têm a mesma posição.

Ante as negativas, o comando de campanha começou a buscar outro nome. Dificultam a indicação o fato de o candidato entrar em uma disputa em estágio avançado, e polarizada por dois outros adversários de peso (o ex-governador petista Olívio Dutra e o pedetista Lasier Martins). “A verdade é que ninguém quer porque a chance de perder é muito grande”, admitiu um dos inicialmente cotados.

Além da alta possibilidade de derrota e das dificuldades práticas como montagem de material e arrecadação, o desprezo pela indicação está diretamente relacionado às disputas internas existentes no PMDB e que, na história recente do partido, nunca haviam ficado tão expostas como neste ano. A divisão é tanta que contatos e encontros paralelos ganharam mais peso do que os convocados oficialmente e alguns movimentos ocorrem sem a participação do comando partidário. “A condução do processo beira o primarismo. Determinadas lideranças conseguiram nos colocar em uma situação pior do que aquela para a qual nos empurraram em 2010”, relata um integrante da executiva.

Os motivos de cada um

PEDRO SIMON
No início das tratativas da composição da chapa majoritária, o senador lançou dúvidas sobre se disputaria um novo mandato. Interlocutores de Simon dizem que ele não merece terminar sua vida pública disputando uma eleição na qual pode ser derrotado. Lembram também que lideranças partidárias tentaram pressioná-lo a se decidir antes do período que o senador julgava apropriado no processo e, de forma precipitada, primeiro tentaram lançá-lo candidato à revelia de sua concordância e, depois, não hesitaram em ceder a vaga para o PSB durante as negociações da majoritária.

GERMANO RIGOTTO
Em 2013, mostrou disposição para o Senado. Tinha amplo apoio na base partidária e a certeza de que, se entrasse na disputa, o PT não lançaria candidato competitivo. Os petistas ventilaram a informação de que Rigotto ficaria com seus votos, de forma a derrotar Lasier Martins (PDT). A ala do PMDB gaúcho que apoia a reeleição de Dilma Rousseff à Presidência também o preferia. Por isso, o grupo contrário ao alinhamento com Dilma via na candidatura uma ameaça e passou a rotulá-lo de “dilmista”. Ele acabou “rifado” pela cúpula do partido, que o ignorou quando das tratativas com o PSB.

IBSEN PINHEIRO
Tentou concorrer ao Senado em 2010, quando existiam duas vagas, mas o partido decidiu lançar apenas Rigotto. Neste ano, sem disputar abertamente com Simon e Rigotto, até o último momento manteve seu nome à disposição da sigla para o Senado. Inclusive quando, como coordenador da campanha de Sartori, integrava as rodadas de negociação com o PSB. Coligação fechada, cogitou concorrer a vaga na Câmara, mas abriu mão em favor de José Fogaça, aceitando concorrer ao cargo de deputado estadual. Seus apoiadores consideram que Ibsen não deve deixar uma eleição quase certa.

JOSÉ FOGAÇA
Derrotado na campanha para o governo do Estado em 2010. Naquela ocasião, Fogaça optou pela chamada “neutralidade ativa” em relação à eleição presidencial, que acabou sendo contabilizada como um dos fatores da derrota. Neste ano, desejava concorrer ao Senado, mas optou por “correr por fora” para fugir de disputas ferrenhas, trabalhando com discrição seu nome. Tinha a esperança de que, não sendo candidato, Simon o apoiasse. O apoio não veio, e a vaga ficou com o PSB. Fogaça se lançou candidato a deputado federal. Não faz propaganda de sua mágoa, mas também não a esconde. 


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Fonte: Flávia Bemfica / Correio do Povo





» Tags:Senado Política

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