Porto Alegre, terça-feira, 21 de Outubro de 2014

  • 23/08/2014
  • 16:50
  • Atualização: 16:58

Golpes na internet superam R$ 5 bilhões por ano no Brasil

Crimes virtuais estão cada vez mais sofisticados e setor bancário faz alerta

Polícia Federal realiza operações para prender estelionatários | Foto: PF / CP

Polícia Federal realiza operações para prender estelionatários | Foto: PF / CP

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  • Cláudio Isaías / Correio do Povo

 Os golpes pela Internet contra bancos e pessoas físicas atingem a marca impressionante de mais de R$ 5 bilhões por ano no Brasil, de acordo com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). No caso do sistema financeiro, as quadrilhas realizam adulterações nas máquinas de autoatendimento das agências que possibilitam a retirada de dinheiro. A outra forma de ação dos golpistas é muito conhecida, porém muita gente continua sendo vítima: o e-mail suspeito que chega com um anexo e é aberto pela pessoa que acaba tendo um grande prejuízo com a fraude.

Para combater os golpes que estão cada vez mais sofisticados, a Febraban informou que o setor bancário investe R$ 20,6 bilhões por ano em tecnologia da informação, incluindo ferramentas destinadas a evitar tentativas de fraudes, além de garantir a confidencialidade dos dados dos clientes e a eficiência no uso dos canais eletrônicos. Segundo a Febraban, fortalecer a segurança é uma das prioridades dos bancos, porque tanto as instituições financeiras quanto os consumidores são vítimas dessa situação. O desafio dos bancos é desenvolver formas de identificação e autenticação que impossibilitem as fraudes sem dificultar o acesso aos serviços. Entre elas, o acesso biométrico (com digital, por exemplo) e as transações na Internet autorizadas pelo celular.

Conforme a Febraban, não há registro de invasão ou fraude eletrônica a partir dos sistemas internos dos bancos. A fraude quase sempre ocorre externamente, como captura de dados de cartões nas operações de compras e obtenção de credenciais junto aos clientes para acessar o Internet banking.

O superintendente da Unidade de Segurança da Tecnologia da Informação (Usti) do Banrisul, Jorge Krug, destaca que a segurança com que são realizadas as operações financeiras é uma das preocupações centrais dos bancos. Segundo ele, os golpistas usam disfarces como e-mails da Receita Federal, da Polícia Federal e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em razão das eleições. Para Krug, o cliente tem de desconfiar e não abrir qualquer e-mail. Um exemplo, conforme Krug, aconteceu no dia do acidente aéreo com o candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos. “Na Internet, apareceu um e-mail que afirmava ter imagens do acidente. É fraude e jamais pode ser aberto”, adverte.

Para Krug, as pessoas precisam ficar atentas e entender que os bancos, a Polícia Federal, a Receita Federal e o TSE jamais enviam e-mails. “A curiosidade pode ser muitas vezes perigosa e causar uma grande dor de cabeça”, alerta.

Internet é um dos alvos

O Internet banking e o comércio eletrônico têm sido os alvos preferidos das quadrilhas na Internet. Para o superintendente da Unidade de Segurança da Tecnologia da Informação (Usti) do Banrisul, Jorge Krug, a fraude ocorre porque o usuário recebe e-mails dos estelionatários que acabam sendo instalados nos computadores. Estão ocorrendo ultimamente ataques em boletos de pagamento com alteração dos dados dos clientes. No caso do comércio eletrônico, as pessoas realizam compras em sites não seguros e passam informações dos seus cartões.

Muitas vezes, o cliente é induzido a informar os seus códigos e senhas para os golpistas, além de não adotar as medidas recomendáveis de segurança nos seus equipamentos, como antivírus, sistemas operacionais legítimos e firewall, entre outros. “Por meio da exploração da curiosidade dos usuários da Internet, os criminosos conseguem instalar programas clandestinos nos seus computadores. Os bancos procuram conscientizar seus clientes sobre o uso seguro dos canais de autoatendimento, através de mensagens educativas e dicas nos sites”, esclarece Krug.
De acordo com ele, no caso de o cliente operar o Internet banking, deve ter cuidado com mensagens que não são comuns em uma transação desse tipo. Se aparecer “Estamos atualizando por questão de segurança o seu Internet banking” e o sistema parar, é preciso cancelar tudo porque isso pode ser fraude.

O diretor jurídico do Sindicatos dos Bancários de Porto Alegre e Região (Sindbancários), Lúcio Mauro Paz, comenta que os bancos investem a cada ano 5% no segmento em segurança eletrônica. Mas acredita que faltam investimentos na contratação de vigilantes, na colocação de câmeras de segurança e de vidros blindados nas agências.

Dicas da Febraban

• Nunca escolha senhas que possam ser facilmente descobertas por terceiros, como datas de nascimento, números de telefone, de documento de identidade, da residência ou da placa do carro.
• Se alguém ligar e afirmar que é funcionário do seu banco e pedir-lhe para dizer ou digitar sua senha, não o faça em hipótese alguma.
• Tenha cuidado ao utilizar telefones de terceiros, principalmente os celulares, para acessar sua conta, pois sua senha poderá ficar registrada na memória do aparelho.
• Nunca empreste cartão para ninguém nem permita que estranhos o examinem sob qualquer pretexto. Pode haver troca, sem que perceba.
• Em caso de retenção do cartão no caixa automático, aperte as teclas “Anula” ou “Cancela” e comunique-se imediatamente com o banco. Tente utilizar o telefone da cabine para comunicar o fato. Se não estiver funcionando, pode tratar-se de tentativa de golpe.
• Se for efetuar compras com cartão pela Internet, procure, antes, saber se o site é confiável e se tem sistema de segurança.
• Troque sua senha de acesso ao banco na Internet periodicamente.
• Cuidado com e-mails não solicitados ou de procedência desconhecida, especialmente com anexo.
• Quando for realizar operações financeiras, certifique-se de que está no site do banco desejado, clicando sobre a chave de segurança.


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TAGS » Polícia, Internet, Golpe