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25/08/2014 09:54 - Atualizado em 25/08/2014 09:59

Governo francês cai após críticas do ministro da Economia

Presidente François Hollande solicitou a formação de um novo gabinete "coerente"

Críticas do ministro francês da Economia, Arnaud Montebourg, criaram crise no governo<br /><b>Crédito: </b> Jeff Pachoud / AFP / CP
Críticas do ministro francês da Economia, Arnaud Montebourg, criaram crise no governo
Crédito: Jeff Pachoud / AFP / CP
Críticas do ministro francês da Economia, Arnaud Montebourg, criaram crise no governo
Crédito: Jeff Pachoud / AFP / CP

As duras críticas do ministro francês da Economia, Arnaud Montebourg, à política de austeridade do Executivo e à chanceler alemã Angela Merkel provocaram a queda do governo do primeiro-ministro Manuel Valls. O presidente François Hollande solicitou a formação de um novo gabinete "coerente".

Valls apresentou nesta segunda a renúncia em bloco do Executivo durante uma reunião. Ele tem agora a missão de formar, até terça-feira, uma "equipe coerente com as orientações" definidas por Hollande, destaca um comunicado da presidência francesa. Esta é a primeira crise governamental desde que Valls foi designado no fim de março para comandar o governo francês, em substituição a Jean-Marc Ayrault, após a derrota da esquerda nas eleições municipais. Na votação, os grandes vencedores foram a conservadora UMP e a Frente Nacional, de extrema-direita.

Arnaud Montebourg recebeu uma advertência no domingo da equipe de Valls, que considerou inaceitáveis as críticas ácidas à política econômica do governo. "Consideramos que ultrapassou uma linha amarela, na medida em que um ministro da Economia não pode manifestar-se em tais condições sobre a linha econômica do governo e sobre um sócio europeu como a Alemanha", declarou um integrante da equipe de Valls.

Mas tudo parecia apontar para uma simples chamada de atenção e ninguém esperava uma reforma ministerial. Diante da situação, parece pouco provável que Montebourg, de 51 anos, permaneça no governo, no qual administrava a economia há alguns meses. O governo alemão se recusou a comentar a renúncia do governo francês.

"Não ouvirão comentários da minha parte sobre a demissão do governo francês. É uma questão interna francesa", disse o porta-voz do Executivo alemão, Georg Streiter. "Acredito que a chanceler Angela Merkel, que neste momento está na Espanha, fará o mesmo", completou. Merkel está em uma visita de dois dias na Espanha para preparar, com o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, o Conselho Europeu do próximo sábado em Bruxelas, que deve escolher os novos dirigentes da Comissão Europeia.

"Elevar o tom" com a Alemanha

Em uma entrevista publicada no sábado pelo jornal Le Monde, Montebourg criticou a linha econômica de Valls e Hollande, ambos socialistas como ele. "A Alemanha caiu na armadilha da política de austeridade que impôs a toda Europa", declarou. "A França não tem vocação de alinhar-se com os axiomas ideológicos da direita alemã", disse Montebourg. "Não podemos nos permitir ceder mais", disse o ministro, conhecido pelas críticas que já provocaram problemas ao governo.

Ele pediu ao país para "elevar o tom" com a Alemanha. As declarações foram feitas depois da oposição de Berlim ao pedido de Hollande de reorientar as políticas europeias a favor do crescimento e do emprego. O crescimento econômico da França está paralisado e no fim de junho o país, a segunda economia da Eurozona, registrou um novo recorde do desemprego, com 3.398 milhões de pessoas sem emprego, quase 11% da população ativa.

Montebourg confirmou nesta segunda-feira as críticas à política econômica de Hollande e Valls. Durante uma entrevista à rádio Europe 1 antes do anúncio da renúncia do governo, ele afirmou que não pensava na hipótese de deixar o governo. Arnaud Montebourg e Benoît Hamon, o ministro da Educação, eram os principais nomes da esquerda no governo. Uma parte do Partido Socialista é cada vez mais crítica à política econômica do governo, sobretudo com a decisão de reduzir as participações dos empregadores com o objetivo de favorecer o emprego e a austeridade para lutar contra o déficit público.

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Fonte: AFP






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