Porto Alegre, quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

  • 26/08/2014
  • 20:25
  • Atualização: 08:29

Divulgação de vídeos marca primeiro dia de audiência do caso Bernardo

Gravações mostraram ameaças do pai e da madrasta ao garoto

Gravações mostraram ameaças do pai e da madrasta ao garoto | Foto: André Ávila / CP

Gravações mostraram ameaças do pai e da madrasta ao garoto | Foto: André Ávila / CP

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  • Fernanda Pugliero / Correio do Povo

Quatro testemunhas de acusação depuseram na primeira audiência de instrução referente à morte de Bernardo Boldrini. Evandro Wirganovicz, acusado de participação na morte e ocultação do cadáver, chegou antes da irmã Edelvânia ao fórum de Três Passos. Os dois foram conduzidos por agentes da Susepe sob gritos da população. Edelvânia foi chamada de "bruxa" e "assassina". Os réus permaneceram durante todo o dia na sala de audiências da 1ª vara criminal. Os advogados dos quatro réus do processo - além dos irmãos, o casal Leandro e Graciele -, acompanharam toda a sessão. A madrasta e o pai não compareceram. Eles solicitaram dispensa à justiça, que concedeu.

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O depoimento mais longo do dia foi o da delegada Caroline Bamberg, primeira testemunha a ser chamada. Ela foi inquirida durante quatro horas e meia. A maior parte da oitiva girou em torno da sequência de vídeos recuperados do celular de Leandro. "Esses vídeos só vieram corroborar o que todas as provas contra ele já tinham mostrado", comentou ao final da audiência. A delegada afirmou ainda que nos próximos dias novas provas periciais devem ser anexadas ao inquérito, entre elas a quebra do sigilo bancário e telefônico dos acusados.

O médico Celestino Ambrosio Schmitt foi a segunda testemunha. Ele era amigo pessoal de Leandro. Schimitt reiterou o que contou em depoimento à polícia. Em um momento de lazer, meses antes do crime, Leandro comentou com o amigo que não seria difícil sumir com um corpo. Na sequência da audiência, a dentista de Bernardo, Graciele Klein Dreher foi ouvida. O menino tinha problemas de orientação do pai e da madrasta para usar o aparelho ortodôntico.

Logo após, a outra delegada que investigou o caso, Cristiane Braucks depôs. Ela preferiu deixar o prédio do fórum sem falar com a imprensa. As demais seis testemunhas de acusação convocadas para ontem foram dispensadas após a saída de Cristiane. A audiência iniciou por volta das 9h e terminou às 20h30min. Houve apenas 15 minutos de intervalo, no meio da tarde, para almoço.

O juiz Marcos Agostini já havia dispensados as 22 testemunhas de defesa no início da tarde. Ele agendará nova audiência para ouvi-las, bem como as restantes de acusação. Outros 44 depoentes, que residem fora da Comarca de Três Passos, serão ouvidos por meio de carta precatória. Após o período de audiências de instrução - além das testemunhas, serão intimados os peritos e os réus -, o juiz definirá a data do julgamento e de que forma ele ocorrerá.

Na saída do fórum, a promotora Sílvia Jappe fez sua primeira manifestação. Ela afirmou que as provas dos vídeos apenas reforçam o que a acusação acredita. "Pelo andar da audiência, ainda resta muito tempo para ouvir e deverá levar muito tempo o julgamento”, disse a promotora, que prevê que a conclusão do julgamento não ocorra em 2014.

Relembre o caso
Bernardo, de 11 anos, desapareceu em 4 de abril, em Três Passos, e teve o corpo encontrado na noite do dia 14, em Frederico Westphalen, dentro de um saco plástico e enterrado às margens de um rio. Edelvânia Wirganovicz, amiga da madrasta Graciele Ugulini, admitiu o crime e apontou o local onde a criança foi enterrada.

O pai do menino, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

A polícia sustenta a tese de que Graciele e Edelvânia executaram o homicídio usando doses do medicamento Midazolan – a madrasta porque entendia que o menino era um "estorvo" para o relacionamento entre ela e Leandro Boldrini, e Edelvânia em troca de dinheiro, para comprar um apartamento. Ainda segundo a polícia, Boldrini também teve participação na morte fornecendo o medicamento controlado em uma receita assinada por ele, na cor azul. Já Evandro se tornou o quarto réu do caso, pela suspeita de ter ajudado a fazer a cova onde o corpo do menino foi enterrado.

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