Porto Alegre, sábado, 20 de Dezembro de 2014

  • 27/08/2014
  • 08:23
  • Atualização: 08:36

Diretora do FMI é indiciada por negligência em caso de arbitragem

Christine Lagarde negou que irá deixar o cargo

FMI manifesta apoio a diretora desde 2013, quando a justiça considerou Lagarde testemunha assistida | Foto: Thomas Samson / AFP / CP

FMI manifesta apoio a diretora desde 2013, quando a justiça considerou Lagarde testemunha assistida | Foto: Thomas Samson / AFP / CP

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  • AFP

A diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, anunciou nesta quarta-feira que foi indiciada por "negligência" na investigação da polêmica arbitragem entre o empresário Bernard Tapie e o banco Crédit Lyonnais.  Sobre a possibilidade de renunciar ao cargo no FMI, a ex-ministra da Economia francesa foi taxativa e disse "não". "Volto a trabalhar em Washington ainda nesta tarde", afirmou.

Lagarde foi interrogada na terça-feira por mais de 15 horas pelos magistrados da Corte de Justiça da República (CJR), instância habilitada para investigar os membros do governo por supostas irregularidades cometidas no exercício das funções. "A comissão de instrução da CJR decidiu por meu indiciamento com base em uma simples negligência", disse no escritório de seu advogado, Yves Repiquet.

"Depois de três anos de instrução e dezenas de horas de interrogatórios, a comissão se rendeu à evidência de que não fui cúmplice de nenhuma infração e se limitou a alegar que não teria sido suficientemente vigilante na arbitragem", completou. O processo de arbitragem rendeu ao polêmico empresário Tapie uma indenização milionária. "Pedi a meu advogado que apresente todos os recursos a esta decisão, que considero totalmente infundada", completou.

A justiça investiga a sentença arbitral de 2008 que concedeu 400 milhões de euros a Bernard Tapie, sendo 45 milhões por danos morais, para acabar com uma longa disputa entre o empresário e o banco Crédit Lyonnais pela revenda da empresa de artigos esportivos Adidas.

Cinco pessoas são acusadas de "fraude em grupo organizado", incluindo o próprio Tapie e o ex-diretor de gabinete de Lagarde quando ela era ministra da Economia e o atual conselheiro delegado da empresa de telefonia Orange, Stéphane Richard. Os juízes tentam determinar se a sentença foi resultado de um "simulacro" de arbitragem organizado com o aval do governo da época, quando Nicolas Sarkozy era presidente do país.

Em 2013, a justiça considerou Lagarde testemunha assistida, uma figura judicial que fica entre a simples testemunha e a acusação. Desde então, o FMI manifesta apoio a sua diretora. Lagarde, que poderia ser condenada à prisão e a pagar 15 mil euros de multa, é criticada por não ter apresentado um recurso contra a decisão da arbitragem.

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TAGS » FMI, Economia, França