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29/08/2014 07:54 - Atualizado em 29/08/2014 08:30

Avó de Bernardo desconhecia ambiente de intrigas e ameaças

Vídeo gravado por Leandro mostra menino pedindo socorro

Avó de Bernardo desconhecia ambiente de intrigas e ameaças<br /><b>Crédito: </b> Deivid Dutra / Especial / CP
Avó de Bernardo desconhecia ambiente de intrigas e ameaças
Crédito: Deivid Dutra / Especial / CP
Avó de Bernardo desconhecia ambiente de intrigas e ameaças
Crédito: Deivid Dutra / Especial / CP

A avó materna de Bernardo, Jussara Uglione, afirmou nessa quinta-feira que não tinha conhecimento do ambiente de intrigas, ameaças e constantes assédios sofridos pelo neto na residência dos Boldrini. “Eu não sabia que esse tipo de situação se passava na casa”, revelou, emocionada. Após assistir a uma gravação recuperada por técnicos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) do celular do médico Leandro Boldrini, no qual Bernardo grita por socorro após discussão com a madrasta Graciele Ugulini e o pai, Jussara diz ter ficado extremamente abalada. 

Leia mais sobre o caso Bernardo

>A pedido dela, o advogado Marlon Taborda utilizará essa gravação e os demais vídeos recuperados pelo IGP para pedir a reabertura do inquérito policial da morte da mãe do menino, Odilaine Uglione, em 2010. Em um dos vídeos, a madrasta ameaça Bernardo dizendo que ele terá o mesmo fim da mãe. “Vamos pedir a reabertura do caso”, apontou Jussara. Na época, a investigação concluiu que Odilaine cometera suicídio no consultório de Leandro.

Taborda havia solicitado o desarquivamento do caso da mãe após a morte do menino. O pedido foi negado pelo juiz Marcos Agostini, da Comarca de Três Passos, em 28 de julho. “Existe um jargão popular que diz que o diabo faz a panela e não faz a tampa. Leandro queria gerar uma prova de defesa, mas fez uma prova para o outro lado”, disse o advogado.

Num dos vídeos (com trechos transcritos ao lado), a mãe de Bernardo é um dos motivos da discussão entre ele, o pai e a madrasta. “Ah, Bernardo, eu fico com pena de ti… Tua mãe te botou no mato. Deus o livre. Te abandonou”, afirmou Leandro, quando o menino revidou: “E tu traiu ela!”. Graciele então defende o marido, dizendo para Bernardo: “Então pergunta para as pessoas o que tua mãe fazia com teu pai”. Leandro lembrou que a ex-mulher foi ao consultório com uma arma: “O que ia acontecer comigo?”. E o filho respondeu: “Tinha que ter matado mesmo!”. Graciele interveio novamente: “Tu vai ir antes. Doente que tu está desse jeito… Igual a tua mãe. Teu fim vai ser igual o da tua mãe”.

Transcrição: 
Trechos de um dos vídeos recuperados por técnicos do IGP:

Bernardo: Socorro! Meu pai vai me agredir. Socorro! Socorro! Socorro! Socorro! Socorro! Socorro! Socorro! Não! (...) Eu quero denunciar, empresta o telefone, eu quero denunciar vocês! Empresta, quero denunciar! (...)
Leandro: Quem que começou a bagunça?
Bernardo: Vocês me agrediram, tu me agrediu.
Graciele: E vou agredir mais. A próxima vez que tu abrir a boca para falar de mim, eu vou agredir mais.
Leandro: Xingando ela. Ninguém merece ser xingado, né, rapaz.
Graciele: Eu vou agredir mais, eu não fiz nada em ti.
Bernardo: Fez sim. Tu me bateu.
Graciele: (...) Eu não tenho nada a perder, Bernardo. Tu não sabe do que eu sou capaz. Eu prefiro apodrecer na cadeia a viver nesta casa contigo incomodando. (...)
Bernardo: (inaudível) Queria que tu morresse. (...)
Graciele: É, vamos ver quem tem mais força. Vamos ver quem vai para baixo da terra primeiro.
Bernardo: Tu. Tu vai... (...)

Relembre o caso

Bernardo, de 11 anos, desapareceu em 4 de abril, em Três Passos, e teve o corpo encontrado na noite do dia 14, em Frederico Westphalen, dentro de um saco plástico e enterrado às margens de um rio. Edelvânia Wirganovicz, amiga da madrasta Graciele Ugulini, admitiu o crime e apontou o local onde a criança foi enterrada.

O pai do menino, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

Assista ao vídeo: 



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Fonte: Fernanda Pugliero / Correio do Povo






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