Porto Alegre, sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

  • 30/08/2014
  • 08:48
  • Atualização: 08:52

Cavalos devem sair de área de CTG em Gravataí

Animais têm sido motivo de reclamações por parte de moradores do bairro Cohab A

Cavalos devem sair de área de CTG em Gravataí | Foto: Tarsila Pereira

Cavalos devem sair de área de CTG em Gravataí | Foto: Tarsila Pereira

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  • Cláudio Isaías / Correio do Povo

O Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Pialo da Saudade, de Gravataí, tem até terça-feira para retirar 12 cavalos que estão em área junto ao CTG. A determinação é da Procuradoria-Geral do Município. O procurador-geral Jean Torman informou nessa sexta que o uso irregular da área para a criação de cavalos tem sido motivo de reclamações por parte de moradores do bairro Cohab A. “Para o local onde estão os cavalos existe um projeto de construção de uma praça, mas o espaço vem sendo utilizado para a hotelaria de cavalos, o que é ilegal.” O CTG nega que o espaço seja usado para hotelaria e criação.

Conforme o procurador, o município não é contra as tradições gaúchas. “O compromisso firmado é de que a utilização do local seria para o desenvolvimento de atividades artísticas e culturais.” Segundo Torman, a prefeitura respeita o Pialo da Saudade e os mais de 20 CTG’s existentes na cidade. “O que queremos é que a população do bairro Cohab A também seja respeitada e que os responsáveis pelo local entendam a necessidade de cumprir à lei.” A medida, no entanto, não afeta o funcionamento do CTG, que tem um termo de cessão da área até 2020. Conforme o procurador, os artigos 36 e 126 do Código de Posturas Municipal, nos parágrafos 1 e 2, tratam da proibição de criação de animais em áreas públicas ou dentro de perímetro urbano que cause incômodo aos vizinhos. “O termo de cessão da área, que pertence à prefeitura, é claro quanto ao uso exclusivo para o exercício da cultura tradicionalista”, acrescentou.

Morador há 26 anos do Cohab A, o aposentado José Luiz Moreira da Silva, 64 anos, é o autor das denúncias na Ouvidoria da prefeitura. Ele disse que os moradores não são obrigados a conviver com o cheiro do esterco dos cavalos e com o barulho das festas dos finais de semana. “Só quem vive 24 horas no bairro é que sabe o quanto é insuportável ter que aguentar barulho de música na madrugada e cheiro dos dejetos dos animais.”

CTG pode encerrar atividades

Com a retirada dos 12 cavalos, o CTG Pialo da Saudade corre o risco de encerrar suas atividades. A afirmação foi feita pelo patrão da campeira Orenildo Azevedo. “Sem os animais, não temos como realizar as provas da escolinha de tiro de laço para meninos e meninas da comunidade que aprendem o respeito às tradições gaúchas”, explicou.

Conforme Azevedo, uma parte dos moradores, que são favoráveis à presença do CTG no local, realizaram um abaixo-assinado com mais de 400 assinaturas para que sejam mantidos os animais no local e que o espaço não seja fechado. “Gostaria de deixar claro que não utilizamos o local como hotelaria de cavalos e nem cobramos aluguel pela permanência dos animais.” Ele enfatizou ainda que no terreno não são criados cavalos. “Os animais são fundamentais para a invernada campeira e são utilizados em provas de laço e de rédea organizadas pela entidade. Invernada campeira sem cavalos significa que não existe CTG.” Moradores dizem que o CTG é uma referência para a comunidade.


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