Porto Alegre, sábado, 22 de Novembro de 2014

  • 31/08/2014
  • 16:17
  • Atualização: 16:26

Exército iraquiano rompe cerco jihadista e entra na cidade de Amerli

Cúpula da Otan fará reunião na próxima semana para tratar de operações contra radicais

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  • AFP

O exército iraquiano, apoiado por combatentes xiitas e curdos, rompeu neste domingo o cerco dos jihadistas à cidade turcomana xiita de Amerli, onde milhares de habitantes estavam presos há dois meses e já sofriam com a falta de água e comida. Entretanto, dois atentados suicidas perto de posições das forças de segurança deixaram ao menos 10 mortos na cidade de Ramadi, na província de Al-Anbar.

Os soldados, com o apoio aéreo dos exércitos iraquiano e americano e ajudados por milicianos xiitas e combatentes curdos, entraram na cidade situada 160 quilômetros ao Norte de Bagdá, no que significa uma de suas poucas vitórias de peso contra os jihadistas do Estado Islâmico (EI). As forças iraquianas também conseguiram expulsar os jihadistas das localidades dos arredores de Amerli que eles controlavam desde 18 de junho.

“Nossas forças entraram em Amerli e romperam o cerco”, afirmou à agência de notícias AFP o tenente-general Qasem Ata, porta-voz dos serviços de segurança.

Os habitantes desta cidade de 20 mil pessoas, povoada em grande parte pela minoria turcomana de língua turca, tomaram as armas e resistiram durante mais de dois meses a um dos cercos mais longos desde o início da ofensiva jihadista no Iraque, em 9 de junho. Eles estavam ficando sem alimentos e remédios. No sábado, Estados Unidos, Austrália, França e Grã-Bretanha lançaram 40 mil litros de água potável e alimentos, segundo o Pentágono.

Novos ataques americanos

“Em apoio à operação humanitária”, os Estados Unidos realizaram novos ataques aéreos em localidades próximas contra “os terroristas do EI”. A ONU havia dito temer um massacre em caso de uma tomada da cidade pelos jihadistas sunitas ultrarradicais.

O apoio aéreo americano, que começou em 8 de agosto, é a primeira ação militar dos Estados Unidos no Iraque desde a retirada de suas tropas, no fim de 2011. No plano diplomático, o chefe da diplomacia americana, John Kerry, viajará à região após a cúpula da Otan dos dias 4 e 5 de setembro, onde tentará formar “a maior coalizão de nações possível” contra os jihadistas.

Os jihadistas do EI, acusados pela ONU de limpeza étnica, também lutam na guerra na vizinha Síria e provocaram a fuga de centenas de milhares de pessoas. De acordo com uma ONG síria, dezenas de mulheres da minoria yazidi, capturadas no Iraque, foram forçadas a se converter ao Islã e depois vendidas para ser casadas à força na Síria com combatentes do grupo.

Na Síria, onde o conflito se tornou extremamente complexo com a chegada de jihadistas do exterior, a Frente Al-Nosra, o braço local da Al-Qaeda, reivindicou o sequestro de 45 capacetes azuis de Fiji, capturados na quinta-feira na parte sob controle sírio das Colinas de Golã.

Na parte do Golã ocupada por Israel o exército israelense derrubou um drone procedente do lado sírio desta região, onde são registrados combates entre o exército e os rebeldes. A aviação israelense “conseguiu interceptar um veículo aéreo não tripulado que havia entrado no espaço aéreo israelense sobre a fronteira com a Síria”, conforme informou o exército em um comunicado, sem precisar quem operava a aeronave.

Israel ocupa desde 1967 1,2 mil km² das Colinas de Golã, uma decisão que não foi reconhecida pela comunidade internacional. Cerca de 510 km² permanecem sob controle sírio.

Em três anos e meio, o conflito na Síria, onde o crescimento do EI enfraqueceu a rebelião ante o regime, deixou mais de 191 mil mortos, segundo a ONU, e levou 9 milhões de habitantes a fugir de suas casas, quase 50% da população.