Porto Alegre, quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

  • 01/09/2014
  • 12:43
  • Atualização: 12:47

Casa de torcedora está fechada desde episódio de racismo

Vizinhos da jovem gremista relataram que local foi apedrejado

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  • Correio do Povo

A maioria dos vizinhos do bairro em que reside a jovem gremista, de 23 anos, cuja imagem chamando de “macaco” o goleiro santista Aranha se espalhou por todas as redes sociais, não quer se manifestar publicamente sobre o episódio, mas desmente que ela tenha comportamento racista no dia a dia. A casa em que mora, junto com a mãe, está fechada desde que o caso foi amplamente divulgado em todo o país, após o jogo de Grêmio e Santos, na noite de quinta-feira, na Arena, em Porto Alegre. A residência, localizada no bairro Passo das Pedras, chegou a ser apedrejada na sexta-feira.

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Ex-árbitro de futebol e dono de um mercado perto da casa da jovem, o comerciante Márcio Batista Traslatti, de 49 anos, conhece a jovem desde bebê e sua família. “Acompanhei ela crescer. É uma menina sem problemas e de boa índole. Tenho certeza que ela foi na empolgação. Foi um ato involuntário, gritando junto com todo mundo. Estava no lugar e na hora errada”, avaliou. O comerciante entende que todo mundo erra na vida. “Quem nunca errou que atire a primeira pedra. Ela merece uma oportunidade e perdão. Ela já está sendo punida ao ser exposta em todo o país. Compete a ela agora pedir desculpa por tudo”, observou Márcio Batista Traslatti.

Torcedor colorado, Ilto Ferreira de Assis, de 64 anos, também conhece a jovem há muito tempo e nunca ouviu alguém falar mal dela. “Acho que ela foi no embalo da torcida organizada”, analisou. Na opinião dele, os clubes têm que assumir as responsabilidades em relação às torcidas, pois “financiam, dão churrasco e ônibus”. Ele lamentou que a imagem da jovem, registrada por um canal esportivo de televisão a cabo, seja agora “o bode expiatório” quando havia “uns 300” gritando ofensas contra o goleiro santista. “Ela já foi penalizada. É uma coisa inacreditável”, constatou.

Já Iracema Rodrigues da Silva, de 50 anos, considerou uma “fatalidade” o episódio com a jovem vizinha. “Ela se dá com todo mundo. Ela tem amigos negros. Nunca escutei algo contrário. Acho que foi uma coisa de ‘maria vai com as outras’. Ela já ganhou o castigo e seria errado ficarem agora hostilizando-a”, enfatizou a moradora.

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