Porto Alegre, terça-feira, 21 de Outubro de 2014

  • 01/09/2014
  • 20:05
  • Atualização: 20:06

Justiça Federal do RS absolve integrantes do MST

MPF havia denunciado, em 2007, líderes de quatro acampamentos de Coqueiros do Sul

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  • Agência Brasil

Após sete anos de trâmite processual, a Justiça Federal no Rio Grande do Sul absolveu, em primeira instância, oito integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) das denúncias de saques, roubo e privação de liberdade, entre outros crimes. A decisão é da primeira quinzena de julho, mas só se tornou pública no último final de semana, quando o MST a divulgou.

Ao denunciar os sem-terra, em 2007 o Ministério Público Federal (MPF) apontou que Sílvio Luciano dos Santos, Isaías Antônio Vedovatto, Edemir Francisco Valsoler, Ivan Maroso de Oliveira, Hugo Castelhano, Vladimir Maier, Jandir Celso Wibrantz e Arno Maier não só faziam parte de um grupo cujo objetivo era realizar “a reforma agrária na marra”, “desobedecendo ao devido processo legal e desrespeitando as autoridades policiais”, como eram líderes dos quatro acampamentos do MST instalados na região de Coqueiros do Sul e organizados “como um Estado paralelo”.

Ainda segundo o MPF, os denunciados faziam ameaças aos donos e funcionários das fazendas ocupadas e recorriam à força também para impedir os policiais de desocuparem as propriedades invadidas, usando coquetéis-molotov, facões, foices, estacas, armadilhas. Na denúncia, o MPF sustentou que, além de expulsar os legítimos proprietários das terras, os sem-terra cometiam crimes, “sempre com a finalidade de obrigar o governo a desapropriar a área”.

A denúncia foi montada a partir dos depoimentos de oficiais da Brigada Militar que, entre outras coisas, sugeriam que os integrantes do MST tinham ligações com o Primeiro Comando da Capital e com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e recebiam treinamento militar de estrangeiros. Desde o início, o MST acusou o processo de fazer parte das tentativas de criminalizar o movimento. Santos, Vedovatto, Valsoler, Oliveira, Castelhano e Vladimir Maier foram denunciados não só com base no Código Penal, mas também por crimes previstos na Lei de Segurança Nacional, como integrar associação ou grupamento que emprega meios violentos ou graves ameaças para implementar, à força, mudanças no Estado de Direito e incitação à subversão da ordem política ou social.

Ao analisar o processo, o juiz federal substituto da vara federal de Carazinho (RS), Stefan Espírito Santo Hartmann, absolveu os sem-terras por falta de provas.

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