Porto Alegre, domingo, 26 de Outubro de 2014

  • 01/09/2014
  • 21:35
  • Atualização: 22:17

Confronto de Dilma e Marina predomina em debate

Aécio enfrentou a presidente, mas também dirigiu críticas às "incoerências" da candidata do PSB

Confronto de Dilma e Marina predomina em debate  | Foto: Nelson Almeida/AFP/CP

Confronto de Dilma e Marina predomina em debate | Foto: Nelson Almeida/AFP/CP

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A candidata do PSB, Marina Silva, e a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, protagonizaram nesta segunda-feira o principal confronto do debate promovido por jornal Folha de S.Paulo, portal UOL, SBT e rádio Jovem Pan. Dilma e Marina, que na mais recente pesquisa Datafolha aparecem empatadas na liderança da disputa presidencial, ambas com 34% das intenções de voto, escolheram uma a outra como alvos preferenciais durante o evento.

Enquanto a candidata do PSB insistiu em apontar o que chamou de erros da gestão Dilma na condução da política econômica do governo, a petista explorou o que considera contradições das propostas de Marina e a falta de sustentação política de seu grupo. O candidato do PSDB, Aécio Neves tentou, a princípio, polarizar com a presidente, também mirando a gestão da economia, mas ficou em segundo plano.

Apenas os nanicos Levy Fidelix (PRTB) e Luciana Genro (PSOL) dirigiriam perguntas ao tucano. Aécio fez uma referência explícita a Marina somente nas suas considerações finais, quando disse que ela "não consegue superar as contradições em seu projeto" de poder.

Após o evento, ele atribuiu às regras do debate o fato de não ter dirigido perguntas à adversária do PSB. Em entrevistas, repetiu a expressão de que o Brasil não é "um país para amadores" e fez críticas diretas à ex-ministra. "A candidatura de Marina não consegue superar as suas incoerências, que são enormes." Já no primeiro momento do debate, Dilma questionou a viabilidade de promessas feitas por Marina.

A petista perguntou de onde a candidata do PSB tiraria os R$ 140 bilhões que, segundo cálculo da petista, seriam necessários para custear benefícios sociais como a antecipação de 10% do Produto Interno Bruto para a educação, o investimento de 10% da receita bruta da União para a saúde e o passe livre para estudantes de escola pública. Sem apontar as fontes dos recursos, a ex-ministra do Meio Ambiente disse que firmou compromissos para que o Brasil volte a ter eficiência.

"Quando é para subsidiar juros de banco, as pessoas não ficam preocupadas de onde vai sair o dinheiro", afirmou Marina, que voltou a ser cobrada por Dilma: "A senhora falou e não respondeu de onde vem o dinheiro", provocou a petista. "Vamos fazer com que nosso orçamento possa ser acrescido a partir da eficiência que teremos com relação aos tributos. A sociedade paga muito alto para que as escolhas sejam sempre feitas na direção errada", reagiu Marina.

Na oportunidade que teve para questionar Dilma, no terceiro bloco do debate, a candidata do PSB perguntou o que deu errado no governo da petista, já que o ela não teria cumprido os compromissos de fazer o país crescer, manter os juros baixos e controlar a inflação. Na resposta, a presidente preferiu falar sobre o que chamou de "contradição" da adversária.  "Há uma contradição de uma política macroeconômica ligada a interesses de arrochar salários, aumentar tarifas e atender interesses. O cobertor é curto. Sem apoio político, sem discussão e sem negociação, a senhora não consegue aprovar os grandes programas do Brasil", afirmou Dilma, que também tocou em outro tema polêmico da candidatura de Marina. "Eu apostei na governabilidade, nunca negociei os interesses do Brasil. Ganhei e perdi, mas sem apoio do Congresso Nacional, é impossível governar. Quem escolhe os bons é o povo brasileiro, por meio da eleição", frisou.

Coalizão 


A ex-ministra do governo Lula, que assumiu a candidatura presidencial após a morte de Eduardo Campos em acidente aéreo no dia 13 do mês passado, tem afirmado que pretende governar com uma base de apoio no Congresso formada por maiorias ocasionais, e não da forma como se dá hoje o chamado presidencialismo de coalizão. Na réplica, Marina voltou a defender a proposta de autonomia do Banco Central e a acusar o governo de "atitudes erráticas". Dilma disse que a ex-ministra se apoia em "frases de efeito e frases genéricas". "Quando você é presidente, você precisa se explicar, não basta dizer que vai fazer uma lista de coisa sem dizer de onde virá o dinheiro. Ainda falta muita coisa pra fazer no Brasil, eu sei disso porque eu tentei fazer", disparou a mandatária.

Dilma, que no início do debate admitiu nervosismo ao se confundir quando foi questionada por Eduardo Jorge, concordou com o candidato do PV sobre a situação "calamitosa" dos presídios brasileiros. Ainda no primeiro bloco, Jorge fez uma espécie de dobradinha com Aécio Neves na crítica ao desempenho da economia no atual governo. Na sua vez de perguntar, Aécio se dirigiu ao candidato do PV para lembrar o recuo 0,6% do PIB no segundo trimestre e afirmou que o país está em recessão técnica. O tucano perguntou se o Brasil fracassou na condução da política econômica. "Sim", respondeu de pronto Jorge. O candidato do PSDB falou em "herança perversa" da gestão Dilma: "Os empregos estão indo embora. Essa é que é a realidade. O país que não cresce não gera empregos".

 A resposta da petista veio no bloco seguinte em um debate com Marina. Dilma, novamente confrontada sobre o
tema economia, negou que o Brasil esteja em recessão. "A inflação hoje está próxima de zero, a Bolsa se valoriza e o Brasil está entre os cinco países que mais recebem investimento externo", afirmou, destacando novamente a crise
internacional. "A nossa diferença é que enfrentamos a crise sem arrocho de salário e sem desemprego." Na réplica, Marina disse que a presidente não reconhece os próprios erros, afirmando que a população paga o preço pela combinação de inflação alta, juros elevados e baixo crescimento. "Quando as coisas vão bem, os louros são para o seu governo, quando vai mal, a culpa é da crise internacional."

Marina foi questionada por um dos jornalistas se o fato de não revelar as empresas para as quais deu palestras, o que lhe propiciou R$ 1,6 milhão até maio deste ano - conforme revelou o jornal Folha de S.Paulo no domingo -, significava uma falta de transparência e uma prática da velha política. "Vivo honestamente do meu trabalho, é porque quero renovar a política a razão que nunca fui buscar cargo público para sobreviver", respondeu a candidata do PSB, citando que já deu centenas de palestras gratuitas e que não pode revelar as contratantes em razão da cláusula de confidencialidade. O jornal O Estado de S. Paulo mostrou hoje que a carteira de clientes que contratou Marina entre 2011 e 2014 inclui grandes bancos, empresas e seguradoras.

Drogas e aborto

Marina também precisou responder sobre os temas aborto e legalização de drogas. "Não satanizo
ninguém que defende drogas e aborto", disse a ex-ministra, que é evangélica. Ela propôs a realização de um debate e um plebiscito para discutir o assunto. Quarto colocado na disputa, o candidato do PSC, Pastor Everaldo, foi questionado sobre um processo que tramita no Supremo Tribunal Federal no qual é acusado por uma mulher de agressão. "Eu nunca agredi uma mulher, minha política é a favor da família", reagiu.

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