Porto Alegre

17ºC

Ver a previsão completa

Porto Alegre, domingo, 23 de Abril de 2017

  • 13/04/2017
  • 18:49
  • Atualização: 19:07

Ataque dos EUA no Afeganistão eleva risco geopolítico e faz dólar subir 0,39%

Alta modesta ante o real faz com que moeda norte-americana termine a semana próximo da estabilidade

Alta modesta ante o real faz com que moeda norte-americana termine a semana próximo da estabilidade | Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

Alta modesta ante o real faz com que moeda norte-americana termine a semana próximo da estabilidade | Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

  • Comentários
  • AE

O dólar fechou em alta modesta ante o real nesta quinta-feira terminando a semana bem próximo da estabilidade. Pela manhã, o mercado ainda digeria a fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na véspera alertou

contra a valorização do dólar. Entretanto, à tarde os norte-americanos bombardearam o Afeganistão e reacenderam os temores geopolíticos, que já vinham permeando os negócios nos últimos dias.

O dólar à vista no balcão terminou com alta de 0,39%, a R$ 3,1464, após oscilar entre a mínima de R$ 3,1162 (-0,57%) e a máxima de R$ 3,1495 (+0,49%). Na semana, houve queda de 0,02%. O giro registrado na clearing de câmbio da B3 foi de US$ 859,336 milhões. No mercado futuro, o dólar para maio avançava 0,59% por volta das 17h15, a R$ 3,1550. O volume financeiro somava US$ 15,134 bilhões. No exterior, o dólar tinha um desempenho misto ante outras moedas emergentes e de países exportadores de commodities, subindo 0,65% na comparação com o dólar canadense, mas caindo 0,57% frente ao rublo russo.

Em um dia sem grandes notícias ou indicadores econômicos, o dólar teve um pregão volátil. Apesar da fragilidade na abertura, no período da tarde acabou prevalecendo o movimento de alta, impulsionado pelo ataque surpresa dos EUA contra posições do Estado Islâmico no Afeganistão. Foi usada a chamada "mãe de todas as bombas", a munição mais forte depois das armas nucleares.

"A bomba dos EUA reativou os temores geopolíticos", comenta o operador de uma corretora paulista. Para o economista do BCG Liquidez Alfredo Barbutti, a piora dos mercados externos colaborou para a alta do dólar à tarde, com o Dow Jones fechando em queda de 0,67%, na mínima do dia. Ele chama atenção ainda para a indefinição sobre a rolagem dos contratos de swap cambial que vencem em maio. O volume para o próximo mês é de 127.785 contratos, ou US$ 6,389 bilhões. Nos últimos meses, o Banco Central tem rolado parcialmente os vencimentos, renovando algo entre 40% e 60% dos contratos.

No pano de fundo ainda esteve a questão política, em meio à profusão de vídeos dos delatores da Odebrecht, que atingem uma gama enorme de políticos, tanto da base aliada do presidente Michel Temer como da oposição. Temer, que já tinha negado ontem à noite qualquer irregularidade, voltou à público hoje para se defender.

Bovespa

O Índice Bovespa caiu 1,67% nesta quinta-feira, em seu terceiro pregão consecutivo de perdas, geradas pelo nervosismo do investidor diante das incertezas dos cenários interno e externo. A proximidade do feriado de Páscoa aumentou ainda mais a cautela do investidor, que buscou evitar posições de risco. Com isso, o indicador terminou o dia aos 62.826,27 pontos, menor cotação desde 11 de janeiro (62.446,26). A semana, marcada pela revelação da Lista de Fachin, terminou com perdas acumuladas

de 2,74%.

Apesar da influência negativa do mercado internacional, profissionais do mercado afirmam que o cenário político doméstico permaneceu como principal fonte de preocupação dos investidores nesta quinta-feira. Evidência desses relatos é a queda expressiva de ações de empresas de controle público, que melhor refletem o risco político no mercado de ações. Banco do Brasil ON despencou 5,20%, Eletrobras PNB perdeu 3,71% e Petrobras ON e PN cederam 4,48% e 3,89%, respectivamente.

Desde que o Grupo Estado revelou em primeira mão a lista com a determinação de abertura de inquérito contra 8 ministros de Estado, 12 governadores e dezenas de parlamentares, o Ibovespa caiu 2,82%. Pesa entre os investidores, principalmente, o temor de que as denúncias, que envolvem alguns dos interlocutores mais importantes do governo, comprometa o andamento da reforma da Previdência.

Em um dos momentos mais tensos do dia, o mercado deu sinais de estresse com a notícia de que os EUA lançaram uma bomba no leste do Afeganistão. As bolsas americanas reagiram com queda e o Ibovespa acompanhou, puxado pelas ações da Petrobras e dos bancos.

O setor financeiro, aliás, foi determinante para o resultado final do Ibovespa. Responsável por mais de 25% da composição do índice, os papéis de bancos foram alvo de ordens de venda durante quase todo o pregão, liderados por Banco do Brasil. As quedas também foram relacionadas ao risco político. Itaú Unibanco PN caiu 1,82% e Bradesco PN perdeu 3,05%.

Em meio às quedas quase generalizadas, as ações da Vale tiveram um pregão de tímida recuperação. Depois das perdas expressivas geradas nos últimos dias pelas variações do minério de ferro na China, Vale PNA subiu 0,96%, enquanto Vale ON manteve-se estável.

Taxas de juros

Os juros futuros fecharam a sessão regular do segmento BM&F em alta nesta quinta-feira, 13. Os contratos de curto prazo se ajustaram à decisão de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) e os demais prazos reagiram ao aumento do risco geopolítico, agravado nesta quinta à tarde pelo lançamento de uma bomba pelos EUA no Afeganistão, e ao cenário político doméstico, na medida em que a divulgação dos vídeos das delações de executivos Odebrecht trouxe mais preocupações sobre a aprovação da reforma da Previdência. Do ponto de vista técnico, o leilão de prefixados do Tesouro também ajudou a colocar pressão sobre as taxas.

A correção da ponta curta da curva refletiu o ajuste do mercado ao corte da Selic em 1 ponto porcentual, para 11,25% ao ano. Ainda que esta fosse a aposta majoritária, alguns investidores também haviam montado posições numa decisão mais agressiva, de queda de 1,25 ponto. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para julho de 2017 (515.350 contratos) fechou em 10,745%, de 10,732% no ajuste de quarta. A taxa do contrato de DI para janeiro de 2018 (413.045 contratos) subiu de 9,640% para

9,650%.

Os vencimentos dos trechos médio e intermediário subiram com um pouco mais de força. O DI janeiro de 2019 (429.135 contratos) fechou em 9,46%, de 9,42% e o DI janeiro de 2021 (233.040 contratos) ficou em 9,95%, de 9,88% no ajuste de quarta. No exterior, o destaque do dia foi a informação de que os Estados Unidos lançaram uma bomba no leste do Afeganistão.

Na política, os ex-executivos da Odebrecht Cláudio Melo Filho e José de Carvalho Filho afirmaram em delação premiada que o deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator da reforma da Previdência, teria recebido R$ 200 mil em caixa 2 para sua campanha em 2010.