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Porto Alegre, segunda-feira, 21 de Agosto de 2017

  • 17/04/2017
  • 20:05
  • Atualização: 17:56

Notas suecas de real despertam interesse de colecionadores no Brasil

Lotes de 100 milhões de cédulas de R$ 2 foram importados após problemas da Casa da Moeda

Lote de 100 milhões de cédulas de R$ 2 foi importado após problemas da Casa da Moeda | Foto: Ricardo Giusti / CP Memória

Lote de 100 milhões de cédulas de R$ 2 foi importado após problemas da Casa da Moeda | Foto: Ricardo Giusti / CP Memória

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  • AE

Dinheiro da Suécia circula livremente no Brasil desde janeiro. Não estamos falando da coroa sueca, mas do real brasileiro, especificamente das notas azuis de R$ 2. Cem milhões dessas cédulas foram importadas de uma empresa sueca e já estão na praça. Colecionadores de notas e moedas pagam até R$ 4,99 por essa novidade com sotaque diferente.

Em setembro do ano passado, o Banco Central estava preocupado com a capacidade da Casa da Moeda de imprimir dinheiro. Após uma série de problemas que foram desde a quebra de equipamentos até a descoberta de um esquema de corrupção dentro da estatal para direcionar licitações, o governo editou uma Medida Provisória que autorizou o BC a importar cédulas.

Dias depois da assinatura, o BC fechou contrato com a sueca Crane AB para fornecer 100 milhões de cédulas de R$ 2 ao custo de R$ 20,2 milhões. Sem licitação, a compra foi feita em caráter de emergência para que o BC pudesse cumprir o cronograma de suprimento de cédulas do ano passado. A MP permite a importação sempre que a Casa da Moeda atrasar a entrega de notas ou moedas contratadas em 15%.

Responsável por colocar o real em circulação, o BC defende a operação com uma explicação bem simples: o próprio dinheiro. Mil cédulas de R$ 2 impressas nos arredores de Estocolmo custaram R$ 202,05. O valor é 17% menor que os R$ 242,73 pagos à Casa da Moeda por produzir o mesmo milheiro em Santa Cruz, no subúrbio do Rio de Janeiro.

Com o contrato assinado, as notas foram impressas, trazidas ao Brasil e começaram a circular em 18 de janeiro. Não houve anúncio da entrada dessas cédulas que são idênticas às produzidas no Brasil. A novidade, porém, causou alvoroço entre os colecionadores. Em fóruns, há debate sobre locais de aparição e as características do dinheiro. Em uma página que negocia cédulas e moedas raras, há quem ofereça até R$ 4,99 por uma cédula sueca de R$ 2.

Para identificar o real estrangeiro, basta olhar a série no verso das cédulas. Se a numeração começar com "DZ", o dinheiro foi feito na Suécia. Outra maneira é observar o canto direito onde a inscrição "Casa da Moeda do Brasil" foi substituída por "Crane".

O que diz a Casa da Moeda

Em atenção ao publicado dia 19 a Casa da Moeda esclarece que: no ano de 2016, forneceu cédulas de R$ 2,00 ao preço de R$ 243,73 o milheiro, enquanto o Banco Central comprou a mesma quantidade desta denominação por R$ 202,05, o que não configura 41%.

Note-se ainda que a referida comparação descrita na matéria se deu em anos diferentes e foi considerado o preço médio das cédulas da Casa da Moeda para o contrato de fornecimento de 2017 incluindo portanto as mais caras como as de R$ 50,00 e R$ 100,00 que contém mais características de segurança como a banda holográfica ( tira vertical prateada ) o que as encarece.

Trocando em miúdos, comparou-se o preço médio das cédulas de real de 2017, com a mais barata de todas, a de R$ 2,00 fornecida pela Crane em 2016, ou seja, parâmetros de comparação totalmente diferentes.

Adende-se a isso o fato de que o preço de tabela pago pelo Banco Central no contrato com a Casa da Moeda em 2017, foi de 9,2% a mais do que o pago em 2016, e não 17,3% conforme indica a matéria, uma vez que novamente parâmetros diferentes foram utilizados para efeito de comparação.

Outro ponto a destacar é que a Casa da Moeda, respeitando as leis nacionais, foi obrigada a adquirir as principais matérias primas com até 20% de majoração, para garantir a margem de preferência dos fornecedores nacionais.

Além disso, há que se considerar que a Casa da Moeda custodia o dinheiro produzido e não retirado pelo Banco Central, utilizando um cofre de segurança máxima, serviço este não oferecido pela concorrente em questão.

Quando se trata de soberania nacional, a Casa da Moeda também sai na frente na medida em que disponibiliza preferencialmente todo o seu parque do produtos gráficos de segurança para o Banco Central do Brasil.


TAGS » Suécia, Economia, Brasil