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Porto Alegre, segunda-feira, 26 de Junho de 2017

  • 19/04/2017
  • 19:15
  • Atualização: 19:16

Dólar sobe e bolsa cai com queda do petróleo e preocupação com a Previdência

Moeda norte-americana fechou o dia com alta de 1,07%, a R$ 3,14 após oscilações

Moeda fechou o dia com alta de 1,07%, a R$ 3,14 após oscilações | Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

Moeda fechou o dia com alta de 1,07%, a R$ 3,14 após oscilações | Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

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O dólar fechou em alta pelo segundo dia seguido nesta quarta-feira impulsionado pela derrocada do petróleo e pela preocupação em torno da reforma da Previdência. Hoje finalmente foi apresentado o parecer do relator na comissão especial da Câmara, mas a votação foi adiada e o governo teve de fazer novas concessões.

O dólar à vista no balcão terminou com alta de 1,07%, a R$ 3,1462, após oscilar entre a mínima de R$ 3,1100 (-0,09%) e a máxima de R$ 3,1492 (+1,17%). O giro registrado na clearing de câmbio da B3 foi de 1,239 bilhão de dólares. No mercado futuro, o dólar para maio avançava 1,28% por volta das 17h15, a R$ 3,1550. O volume financeiro somava 14,612 bilhões de dólares. No exterior, o dólar subia ante outras moedas emergentes e de países exportadores de commodities, com destaque para os avanços ante o peso mexicano (+1,35%), o dólar australiano (+0,82%) e o peso colombiano (+1,07%).

Pela manhã, o relator Arthur Maia (PPS-BA) divulgou seu parecer na comissão especial, mas o governo foi obrigado a fazer um acordo com a oposição - que ameaçava obstruir o avanço do projeto - e a votação no colegiado acabou sendo adiada para a primeira semana de maio. Além disso, apesar de todas as mudanças negociadas no projeto original, levantamento feito pelo Grupo Estado, que até o fim da tarde, ouviu 264 dos 513 deputados, mostra 137 votos contrários, 38 favoráveis, 24 indecisos, 1 abstenção e 63 que preferiram não revelar a preferência - além do presidente da Casa, Rodrigo Maia, que não vota.

Enquanto isso, no cenário externo o dólar subia de maneira generalizada ante as moedas consideradas mais arriscadas, impulsionado pelo petróleo. O WTI para junho recuou 3,78%, fechando a 50,85 dólares o barril, após o relatório semanal do Departamento de Energia do governo dos EUA mostrar uma alta inesperada nos estoques de gasolina e um aumento no ritmo de produção de petróleo para o maior nível em 20 meses.

Bovespa

A forte queda do petróleo no mercado internacional e o desconforto do mercado com o andamento da reforma da Previdência também levaram o Índice Bovespa a uma baixa de 1,17% nesta quarta-feira aos 63.406,96 pontos. Nesse cenário de aversão ao risco, as ações da Petrobras foram duplamente penalizadas, uma vez que sofrem tanto a influência do petróleo como a do aumento da percepção de risco interno. O volume de negócios com ações na B3 totalizou R$ 6,9 bilhões.

A bolsa brasileira iniciou os negócios no terreno positivo e o Ibovespa chegou a subir até 0,64%. Naquele momento, predominava um viés positivo com a alta do minério de ferro e a perspectiva otimista com leitura do parecer do relator da reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA). A perda de fôlego começou em torno das 11h15, logo após a notícia do acordo entre governo e oposição que suspendeu a votação do parecer para a primeira semana de maio. O enfraquecimento das bolsas de Nova York, por fim, acabou por ajudar a levar o Ibovespa definitivamente para o terreno negativo.

O período da tarde foi de sucessivas mínimas do Ibovespa, que chegou a cair para 63.218,80 pontos (-1,47%), já na última hora de negociação. As ordens de venda se concentraram principalmente em Petrobras PN, ação mais negociada do dia, sob influência direta das quedas do petróleo nas bolsas de Nova York e Londres. Os contratos futuros de petróleo foram pressionados pelo relatório semanal de estoques do Departamento de Energia (DoE) dos Estados Unidos, que relatou que a produção no país atingiu nível

recorde.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para junho fechou em baixa de 3,78%, a 50,85 dólares por barril. Já na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo tipo Brent para o mesmo mês recuou 3,57%, a 52,93 dólares por barril. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras terminaram o dia com perdas de 2,84% e de 3,55%, respectivamente. Pesou, ainda, o desconforto político.

As ações da Vale bem que ensaiaram uma recuperação das perdas recentes, mas acabaram por sucumbir ao desânimo do investidor. Os papéis chegaram a subir pela manhã, apoiados na alta do minério de ferro, mas perderam fôlego à tarde. Vale ON terminou o dia em alta de 0,23%, enquanto Vale PNA perdeu 0,12% de seu valor. O setor financeiro, maior bloco na composição do Ibovespa, também pesou no desempenho negativo do dia. Nesse grupo, destaque para Banco do Brasil ON, maior queda do Ibovespa (-3,56%) e importante termômetro do risco político doméstico. Bradesco PN caiu 1,00% e Itaú Unibanco PN, 0,88%.

Taxas de juros

Os juros futuros fecharam em alta nesta quarta-feira mais firme na ponta longa da curva, contaminados pelo comportamento negativo do exterior que afetou o mercado de moedas, principalmente à tarde. O dólar avançou ante divisas de países emergentes incluindo o real, o que justificou uma recomposição de prêmios nos principais contratos negociados no segmento BM&F.

No Brasil, os players estão digerindo as mudanças no relatório da reforma da Previdência apresentado nesta quarta na Comissão Especial da Câmara e o fato de que a votação será somente em 2 de maio, quando a expectativa era de que fosse votado ainda em abril. Com a sessão regular já encerrada, o dólar ampliou levemente a alta após a divulgação, pelo Broadcast (serviço de notícias fechado e em tempo real do Grupo Estado) do novo Placar da Previdência, elaborado pelo Grupo Estado, que também ajudou o Ibovespa a renovar as mínimas.

Ao final da sessão regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2018 (109.970 contratos) fechou na máxima de 9,555%, de 9,535% no ajuste de terça. O DI para janeiro de 2019 (196.615 contratos) encerrou também na máxima, com taxa de 9,38%, de 9,35% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2021 (110.615 contratos) terminou em 9,93%, de 9,88%.

O ambiente externo nesta quarta é pautado pela cautela com a proximidade da eleição presidencial na França e também pela reação negativa dos preços do petróleo - que caem mais de 3% - ao aumento, forte e inesperado, dos estoques de gasolina nos EUA na última semana. Houve crescimento de 1,542 milhão de barris, segundo o Departamento de Energia, contrariando a previsão de baixa de 2,0 milhões. Internamente, o mercado segue acompanhando as discussões em torno do andamento da reforma da Previdência.